CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Assinale a alternativa que contenha características clínicas relacionadas à síndrome das pálpebras frouxas:
Homem + Obeso + Apneia do Sono + Pálpebras evertíveis = Síndrome das Pálpebras Frouxas.
A síndrome das pálpebras frouxas é uma condição clínica associada à obesidade e apneia do sono, caracterizada por extrema frouxidão da placa tarsal superior.
A Síndrome das Pálpebras Frouxas (Floppy Eyelid Syndrome) é uma patologia oftalmológica subdiagnosticada que serve como um importante marcador para doenças sistêmicas graves. A tríade clássica envolve homens obesos com apneia obstrutiva do sono que apresentam irritação ocular crônica. A frouxidão palpebral permite que a pálpebra superior se everta espontaneamente durante o sono, levando à exposição da conjuntiva tarsal e ressecamento corneano. Além da verticalização dos cílios, o exame biomicroscópico revela uma reação papilar exuberante na conjuntiva tarsal superior. O tratamento envolve medidas lubrificantes e proteção ocular noturna, mas o manejo definitivo muitas vezes requer a correção cirúrgica da frouxidão palpebral (como o encurtamento horizontal) e, crucialmente, o tratamento da apneia do sono com CPAP, que pode melhorar os sintomas oculares e reduzir o risco cardiovascular associado.
Os principais fatores de risco incluem o sexo masculino, a obesidade (sobrepeso) e a presença de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). A fisiopatologia exata ainda é discutida, mas acredita-se que a isquemia recorrente durante os episódios de apneia e o trauma mecânico crônico contra o travesseiro (devido à eversão palpebral noturna) contribuam para a degradação da elastina na placa tarsal.
A verticalização dos cílios (ou lash ptosis) ocorre devido à perda do suporte estrutural da pálpebra superior. Com a frouxidão extrema dos tecidos e da placa tarsal, os cílios perdem sua curvatura e orientação normal, passando a apontar para baixo ou verticalmente, o que frequentemente causa irritação ocular crônica e ceratite pontata.
O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na facilidade extrema de eversão da pálpebra superior com tração mínima (teste de eversão positiva). Os pacientes frequentemente apresentam conjuntivite papilar crônica na conjuntiva tarsal superior, secreção mucoide e história de dormir preferencialmente sobre o lado do olho mais afetado.
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