Síndrome de Cushing: Diagnóstico Laboratorial Inicial

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 43 anos de idade procura o ambulatório devido a queixa de ganho de peso, cansaço diurno e equimoses frequentes na pele dos braços nos últimos seis meses. Sem outras queixas. O paciente relata ser técnico de enfermagem e realizar plantões noturnos frequentemente. Não tem comorbidades conhecidas nem usa medicamentos. Ao exame, apresenta PA 150/98mmHg, equimoses em membros superiores e estrias arroxeadas em região do abdome. Sem outras alterações. Qual é o exame inicial que deve ser solicitado neste momento para a investigação da condição apresentada por esse paciente?

Alternativas

  1. A) Tomografia de adrenais
  2. B) Ressonância de abdome
  3. C) Cortisol salivar da meia-noite
  4. D) Cortisol urinário de 24 horas
  5. E) Aldosterona sérica

Pérola Clínica

Suspeita de Síndrome de Cushing (ganho peso, equimoses, estrias) → Rastreio inicial com Cortisol urinário 24h ou salivar meia-noite.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais e sintomas clássicos de hipercortisolismo (ganho de peso central, equimoses, estrias arroxeadas, hipertensão), sugerindo Síndrome de Cushing. O exame inicial para rastreio é a dosagem de cortisol urinário de 24 horas ou cortisol salivar da meia-noite, que avaliam a produção de cortisol ao longo do dia ou no período de menor produção.

Contexto Educacional

A Síndrome de Cushing é um distúrbio endócrino raro, mas grave, resultante da exposição prolongada a níveis excessivos de glicocorticoides, seja de origem exógena (iatrogênica) ou endógena (produção excessiva de cortisol pelas adrenais). A prevalência é baixa, mas o reconhecimento é crucial devido às múltiplas comorbidades associadas, como hipertensão, diabetes, osteoporose e aumento do risco cardiovascular. O diagnóstico da Síndrome de Cushing é um desafio e requer uma abordagem sistemática. A suspeita clínica surge com a presença de sinais e sintomas característicos, como obesidade central, estrias violáceas, equimoses fáceis, hipertensão de difícil controle, fraqueza muscular e alterações metabólicas. É importante diferenciar do pseudo-Cushing, que pode ocorrer em obesidade, alcoolismo e depressão, e que pode mimetizar o quadro clínico. A investigação diagnóstica inicial visa confirmar o hipercortisolismo. Os testes de rastreio recomendados incluem o cortisol urinário de 24 horas (pelo menos duas amostras), o cortisol salivar da meia-noite (duas amostras) e o teste de supressão com 1 mg de dexametasona (overnight). Uma vez confirmado o hipercortisolismo, a próxima etapa é determinar a etiologia (ACTH-dependente ou ACTH-independente) para guiar o tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Síndrome de Cushing?

Os principais sinais e sintomas incluem ganho de peso central (obesidade troncular), face em lua cheia, giba de búfalo, estrias violáceas, equimoses fáceis, fraqueza muscular proximal, hipertensão arterial, diabetes mellitus e irregularidades menstruais em mulheres. A presença de múltiplos desses sinais aumenta a suspeita clínica.

Por que o cortisol urinário de 24 horas é um bom exame de rastreio para Cushing?

O cortisol urinário de 24 horas reflete a produção diária total de cortisol livre, que é menos afetada pela variabilidade circadiana e pelo estresse agudo. Níveis elevados persistentes são indicativos de hipercortisolismo, tornando-o um exame de rastreio eficaz e amplamente utilizado para confirmar a exposição excessiva a glicocorticoides.

Quais outros exames podem ser usados para rastrear a Síndrome de Cushing?

Além do cortisol urinário de 24 horas, o cortisol salivar da meia-noite (que avalia a perda do ritmo circadiano do cortisol) e o teste de supressão com 1 mg de dexametasona (que avalia a resistência à supressão do cortisol) são exames de rastreio amplamente utilizados e recomendados para a investigação inicial da Síndrome de Cushing.

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