PseudoCushing: Diagnóstico Diferencial do Hipercortisolismo

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 30 anos, com diagnóstico de obesidade grau 3, hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, apresenta ao exame físico: estrias violáceas em tronco com 1 cm de largura, fácies em “lua cheia” e pletora facial. Nega uso de corticosteroides de qualquer tipo no último ano. Em investigação laboratorial apresenta os seguintes resultados:- cortisol livre em urina de 24 horas (amostra 01): 120 microg/24h (valor de referência: 3,0 a 43,0 microg/24h).- cortisol livre em urina de 24 horas (amostra 02): 30 microg/24h (valor de referência: 3,0 a 43,0 microg/24h).- cortisol salivar à meia-noite: 80 ng/dL (valor de referência: < 100 ng/dL).- cortisol sérico matinal após administração de 2,0 mg de dexametasona via oral à meia-noite: 1,0 microg/dL (valor de referência: < 1,8 microg/dL).- ACTH sérico matinal: 15 pg/mL (valor de referência: 7 a 63 pg/mL).Com base no quadro clínico descrito e nos exames complementares, o diagnóstico da paciente é

Alternativas

  1. A) síndrome de pseudoCushing.
  2. B) doença de Cushing.
  3. C) tumor ectópico produtor de ACTH.
  4. D) adenoma adrenal funcionante.
  5. E) hiperplasia adrenal congênita forma não clássica.

Pérola Clínica

PseudoCushing = Clínica + Cortisol ↑ (1 amostra) + Teste Dexametasona normal + ACTH normal.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clínicos sugestivos de hipercortisolismo (obesidade, HAS, DM2, estrias, fácies em lua cheia), mas os exames laboratoriais (cortisol salivar à meia-noite e teste de supressão com dexametasona) não confirmam a autonomia da produção de cortisol, e o ACTH está normal. O cortisol livre em urina de 24h com uma amostra normal e outra elevada é inconsistente para Cushing, sugerindo um quadro de PseudoCushing, onde há hipercortisolismo sem autonomia.

Contexto Educacional

A Síndrome de Cushing é uma condição rara causada pela exposição prolongada a níveis excessivos de glicocorticoides, seja de origem exógena (uso de corticosteroides) ou endógena (produção excessiva de cortisol pelo próprio organismo). As manifestações clínicas são diversas e incluem obesidade central, fácies em "lua cheia", pletora facial, estrias violáceas, hipertensão arterial, diabetes mellitus, osteoporose, fraqueza muscular e alterações psiquiátricas. O diagnóstico de Síndrome de Cushing é complexo e requer uma abordagem em duas etapas: primeiro, a confirmação do hipercortisolismo endógeno e, segundo, a determinação da sua etiologia. Os testes de rastreamento incluem o cortisol livre em urina de 24 horas (CLU), o cortisol salivar à meia-noite e o teste de supressão com 1 mg de dexametasona durante a noite. A presença de pelo menos dois testes alterados sugere hipercortisolismo. No entanto, condições como obesidade grave, alcoolismo, depressão, estresse crônico e síndrome dos ovários policísticos podem mimetizar a Síndrome de Cushing, levando a um quadro conhecido como PseudoCushing. Nesses casos, há um hipercortisolismo, mas sem a autonomia da produção de cortisol característica da doença de Cushing. A diferenciação é crucial e muitas vezes exige testes adicionais, como o teste de supressão com dexametasona em doses baixas ou altas, e a dosagem de ACTH sérico. No caso da paciente, a clínica sugestiva, mas com testes de supressão e cortisol salivar noturno normais, e ACTH normal, aponta para PseudoCushing, onde o hipercortisolismo é reativo e não autônomo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais testes de rastreamento para Síndrome de Cushing?

Os principais testes de rastreamento incluem cortisol livre em urina de 24 horas, cortisol salivar à meia-noite e teste de supressão com 1 mg de dexametasona durante a noite.

O que diferencia a Síndrome de Cushing do PseudoCushing?

A Síndrome de Cushing é caracterizada por hipercortisolismo autônomo e persistente, enquanto o PseudoCushing apresenta hipercortisolismo sem autonomia, geralmente reversível com a correção da condição subjacente (estresse, obesidade, alcoolismo, depressão).

Como o teste de supressão com dexametasona ajuda no diagnóstico?

No teste de supressão com dexametasona, a falha em suprimir o cortisol sérico matinal (< 1,8 µg/dL) sugere hipercortisolismo autônomo (Cushing). No caso da paciente, a supressão normal (< 1,0 µg/dL) afasta a autonomia.

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