HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019
Mulher de 32 anos de idade procura atendimento por ganho de peso progressivo no último ano. Manteve dieta habitual ao longo desse ano e é sedentária. Nega uso crônico de qualquer medicamento. Ao exame, o médico percebe alopecia androgenética, pletora facial discreta, deposição centripeta da massa gordurosa e estrias violáceas em abdome. Pelos achados observados ao exame físico, o médico deverá solicitar nesse momento:
Suspeita de Cushing → Teste de supressão com 1mg de dexametasona (noturno) é o melhor rastreio inicial.
O quadro clínico (ganho de peso centrípeto, estrias violáceas, pletora facial, alopecia androgenética) é altamente sugestivo de Síndrome de Cushing. O teste de supressão com 1 mg de dexametasona (overnight) é o exame de rastreio mais sensível e específico para confirmar o hipercortisolismo endógeno.
A Síndrome de Cushing é uma condição clínica rara, mas grave, causada pela exposição prolongada a níveis excessivos de glicocorticoides, seja de origem exógena (iatrogênica) ou endógena (hipercortisolismo). O quadro clínico apresentado pela paciente, com ganho de peso centrípeto, estrias violáceas, pletora facial e alopecia androgenética, é altamente sugestivo de hipercortisolismo endógeno, exigindo uma investigação diagnóstica precisa. O diagnóstico da Síndrome de Cushing é um desafio devido à inespecificidade de muitos de seus sintomas e à necessidade de diferenciar o hipercortisolismo patológico de condições que mimetizam a síndrome (pseudo-Cushing). A primeira etapa diagnóstica é confirmar o hipercortisolismo. Para isso, são utilizados testes de rastreio que avaliam a produção de cortisol ao longo do dia ou sua supressibilidade. O teste de supressão com 1 mg de dexametasona (overnight) é considerado um dos melhores testes de rastreio devido à sua alta sensibilidade e especificidade. Ele consiste na administração de 1 mg de dexametasona à noite e dosagem do cortisol sérico na manhã seguinte. Em indivíduos normais, a dexametasona suprime a produção de cortisol; em pacientes com Cushing, essa supressão não ocorre. Outras opções incluem o cortisol livre urinário de 24 horas e o cortisol salivar noturno. A tomografia de adrenais ou a dosagem de ACTH são exames para investigação etiológica, após a confirmação do hipercortisolismo.
Os sinais e sintomas incluem obesidade centrípeta, face em lua cheia (pletora facial), estrias violáceas, fraqueza muscular proximal, hipertensão, diabetes, osteoporose, hirsutismo e irregularidades menstruais, refletindo o excesso de cortisol.
Este teste avalia a capacidade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal de ser suprimido por um corticoide exógeno. Em pacientes com Cushing, a produção de cortisol é autônoma e não é suprimida, tornando-o um método sensível e específico para identificar o hipercortisolismo.
Além do teste de supressão com dexametasona, o cortisol livre urinário de 24 horas (CLU) e o cortisol salivar noturno são outros exames de rastreio importantes para confirmar o hipercortisolismo, cada um com suas particularidades e indicações.
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