UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Paciente do sexo masculino, 3 anos e 2 meses de idade. Pais referem à história de várias fraturas ósseas desde o nascimento, relacionadas a pequenos traumas. Ao exame, observa-se deformidade de ossos longos (encurvamento de fêmures e tortuosidade óssea em antebraços) e escleras azuladas. O estudo radiológico evidenciou:- radiografia simples de coluna e ossos longos: fraturas e calos ósseos;- radiografia simples do crânio: presença de ossos wormianos.Qual situação deve ser obrigatoriamente investigada antes de liberar a criança para sua casa?
Fraturas recorrentes + escleras azuladas + ossos wormianos = suspeitar OI, mas SEMPRE investigar abuso infantil.
Embora a Osteogenesis Imperfecta seja a principal hipótese diagnóstica pelos achados clássicos, a Síndrome da Criança Espancada deve ser obrigatoriamente investigada em qualquer caso de fraturas de repetição em crianças, especialmente quando a história de trauma parece desproporcional ou inconsistente.
A Síndrome da Criança Espancada, ou abuso infantil, é uma condição grave e subnotificada, representando uma das principais causas de morbimortalidade em pediatria. A suspeita deve ser alta em casos de lesões inexplicáveis ou inconsistentes com a história fornecida, especialmente fraturas de repetição. O diagnóstico diferencial de fraturas de repetição em crianças é amplo e inclui condições como Osteogenesis Imperfecta (OI), raquitismo e outras doenças metabólicas ósseas. A OI é caracterizada por fragilidade óssea, escleras azuladas e ossos wormianos. Contudo, a presença de achados sugestivos de OI não exclui a possibilidade de abuso, e a avaliação radiológica completa é crucial. A conduta inicial em casos de suspeita de abuso infantil envolve a proteção da criança, notificação às autoridades competentes e uma investigação multidisciplinar. É fundamental realizar uma anamnese detalhada, exame físico minucioso e exames complementares, como o rastreamento esquelético, para documentar todas as lesões e garantir a segurança do paciente.
Sinais de alerta incluem fraturas em múltiplos estágios de cicatrização, fraturas em locais atípicos (costelas, metáfises), história inconsistente ou ausência de história de trauma, e lesões em tecidos moles.
A diferenciação envolve uma avaliação clínica e radiológica detalhada, incluindo exames genéticos para OI. No entanto, a coexistência é possível, e a investigação de abuso é sempre mandatória para garantir a segurança da criança.
A investigação de abuso é prioritária para garantir a segurança da criança, pois o não reconhecimento pode levar a traumas futuros graves ou fatais. É uma responsabilidade médica e legal.
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