SCA sem Supra ST: Manejo Inicial e Tratamento Essencial

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

MLLS, 60 anos, mulher, negra, casada, 2 filhos, natural do Ceará, procedente de São Paulo há 28 anos, ambulante, católica. Paciente refere angina aos esforços (CCS II) há cerca de 3 anos. Nega ter diagnóstico de infarto prévio. Refere que em 09/04, às 09:00h, iniciou quadro de dor precordial em aperto, nota 7 em escala de dor, com náuseas e sudorese, recorrente, ao repouso. Procurou AME em 09/04 e 11/04, recebendo alta com melhora após analgesia e benzodiazepínico. Houve recorrência da dor em 12/04 às 09:00h, mais forte, procurando o Pronto Atendimento. Qual o tratamento inicial mais indicado?

Alternativas

  1. A) Monitorização, acesso venoso, nitrato, AAS, Clopidogrel, Heparina e oxigênio, se necessário.
  2. B) Fibrinolítico, AAS, Clopidogrel e Heparina.
  3. C) Monitorização, acesso venoso e nitrato.
  4. D) Benzodiazepínico e analgésico, até controle de sintomas

Pérola Clínica

Dor precordial em repouso + elevação troponinas (implícito) = SCA sem supra ST → Monitorização, AAS, Clopidogrel, Heparina, Nitrato.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de angina instável/SCA sem supra de ST, caracterizado por dor precordial em repouso, recorrente e mais forte, com sintomas associados. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente, aliviar a dor, prevenir a formação de trombos e reduzir a demanda miocárdica.

Contexto Educacional

A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) sem supradesnivelamento do segmento ST engloba a angina instável e o infarto agudo do miocárdio sem supra de ST. É uma condição grave que exige reconhecimento e tratamento imediatos, sendo uma das principais causas de mortalidade cardiovascular. A apresentação clínica típica envolve dor torácica isquêmica em repouso, de início recente ou em crescendo, frequentemente acompanhada de sintomas autonômicos. A fisiopatologia central da SCA sem supra de ST é a ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de trombo não oclusivo, levando à isquemia miocárdica. O diagnóstico é feito pela história clínica, eletrocardiograma (ECG) e biomarcadores cardíacos (troponinas). É crucial diferenciar de outras causas de dor torácica e iniciar a terapia adequada rapidamente para preservar o miocárdio. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente, aliviar a dor e prevenir eventos isquêmicos. Inclui monitorização, acesso venoso, oxigênio (se necessário), nitratos para alívio da dor, beta-bloqueadores (se não houver contraindicações), e terapia antitrombótica com antiagregantes plaquetários (AAS e um inibidor P2Y12 como Clopidogrel) e anticoagulantes (heparina). A estratificação de risco define a necessidade de intervenção coronariana percutânea precoce.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma Síndrome Coronariana Aguda sem supra de ST?

O diagnóstico de SCA sem supra de ST baseia-se na dor torácica isquêmica (em repouso, de novo, ou em crescendo), alterações eletrocardiográficas (infra de ST, inversão de onda T) e/ou elevação de biomarcadores cardíacos (troponinas).

Qual a importância da dupla antiagregação plaquetária no tratamento da SCA?

A dupla antiagregação (AAS + Clopidogrel ou outro inibidor P2Y12) é crucial para prevenir a formação e crescimento de trombos nas artérias coronárias, reduzindo o risco de eventos isquêmicos recorrentes e infarto.

Quando o oxigênio suplementar é indicado no manejo inicial da SCA?

O oxigênio suplementar é indicado apenas se o paciente apresentar hipoxemia (saturação de O2 < 90%), desconforto respiratório ou sinais de insuficiência cardíaca, para evitar hiperoxemia que pode ser prejudicial.

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