INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Mulher, com 58 anos de idade, diabética, é admitida no Pronto-Socorro com dor precordial opressiva, intensa, irradiada para membro superior esquerdo há 40 minutos, associada a sudorese fria e sensação de morte iminente. Durante o exame clínico, encontra-se em bom estado geral, eupneica, Pressão arterial = 100 x 70 mmHg, Frequência cardíaca = 92 bpm, Frequência respiratória = 20 ipm. Pulmões limpos. Ritmo cardíaco regular, dois tempos, sem sopros. Abdome flácido, sem visceromegalias, ruídos hidroaéreos presentes. Sem edemas de membros inferiores, panturrilhas livres. Fez uso de dinitrato de isossorbida 5 mg sublingual, tendo cessado a dor. Eletrocardiograma realizado na admissão está normal. Qual a recomendação para o acompanhamento desta paciente?
Dor típica + Fatores de risco (DM) + ECG normal ≠ Alta. Internar para curva enzimática!
Pacientes com dor precordial de alta probabilidade clínica devem ser internados para monitorização e estratificação, mesmo com exames iniciais normais.
A abordagem da dor precordial no pronto-socorro baseia-se no tripé: clínica, eletrocardiograma e marcadores de necrose. Em pacientes com dor típica que cede ao nitrato, a suspeita de Angina Instável é mandatória. O ECG normal não exclui SCA (ocorre em até 25% dos casos). A conduta correta envolve a internação em unidade de dor precordial ou unidade coronariana para monitorização contínua, repetição do ECG em caso de nova dor e realização de curva de troponina (idealmente ultrassensível) para estratificação de risco e definição de estratégia invasiva ou conservadora.
É uma síndrome coronariana aguda sem elevação de marcadores de necrose miocárdica (troponina/CK-MB). Caracteriza-se por dor precordial em repouso, dor de início recente (classe III CCS) ou padrão em crescendo.
A troponina pode demorar algumas horas para se elevar após o início da lesão miocárdica (janela diagnóstica). Além disso, a Angina Instável não eleva enzimas, mas apresenta alto risco de evoluir para infarto ou morte súbita, exigindo monitorização.
O diabetes é um equivalente de doença arterial coronariana e pode mascarar sintomas (isquemia silenciosa) ou apresentar quadros atípicos. Em diabéticos, a suspeita clínica de SCA deve ser sempre alta, mesmo com exames iniciais frustros.
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