SCA sem Supra de ST: Classificação e Conduta Urgente

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021

Enunciado

MLS, 60 anos, negra, casada, 2 filhos, natural do Ceará, procedente de São Paulo há 28 anos, ambulante, católica. Refere angina aos esforços (CCS II) há cerca de 3 anos. Nega diagnóstico prévio de infarto do miocárdio. Em 09/10, às 09:00h, iniciou dor precordial em aperto, nota 7 em escala de dor, com náuseas e sudorese, recorrente, ao repouso. Procurou ambulatório de especialidades médicas AME, em 09/10 e 11/10, recebendo alta, com melhora após analgesia e benzodiazepínico. Houve recorrência da dor em 12/10 às 09:00h, mais forte, procurando o pronto atendimento. Qual a classificação da dor torácica e a conduta?

Alternativas

  1. A) TIPO A: definitivamente anginosa - internação em sala de emergência com preparo para fibrinólise.
  2. B) TIPO D: definitivamente não anginosa – reavaliação sintomática em 1 hora, para, a seguir alta, com orientações.
  3. C) TIPO B: possivelmente anginosa – realizar e analisar eletrocardiograma e coletar biomarcadores de necrose, seriados.
  4. D) TIPO A: definitivamente anginosa – internação em UTI por síndrome isquêmica miocárdica instável.

Pérola Clínica

Dor torácica anginosa em repouso, recorrente, com fatores de risco e angina prévia → SCA sem supra de ST, exige internação em UTI.

Resumo-Chave

A paciente apresenta dor torácica anginosa típica, em repouso, recorrente e de forte intensidade, com história de angina aos esforços. Essa apresentação, especialmente após falha de manejo ambulatorial, configura uma Síndrome Coronariana Aguda (SCA) sem supradesnivelamento do segmento ST (angina instável ou IAM sem supra), que requer internação em UTI para monitorização e tratamento intensivo.

Contexto Educacional

A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é uma condição grave que engloba a angina instável (AI) e o infarto agudo do miocárdio (IAM) com ou sem supradesnivelamento do segmento ST. É uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular e exige reconhecimento e manejo rápidos. A dor torácica é o sintoma cardinal, mas sua apresentação pode variar. A fisiopatologia da SCA envolve a ruptura de uma placa aterosclerótica na artéria coronária, com formação de trombo e oclusão parcial ou total do vaso. No caso de SCA sem supra de ST (AI ou IAM sem supra), a oclusão é geralmente parcial ou transitória. A classificação da dor torácica é fundamental para estratificar o risco, sendo a dor anginosa em repouso, recorrente e de nova intensidade um sinal de alta probabilidade de SCA. O manejo da SCA sem supra de ST é complexo e visa estabilizar o paciente, prevenir a progressão da isquemia e reduzir o risco de eventos futuros. Inclui terapia anti-isquêmica, antiplaquetária e anticoagulante, além da estratificação de risco para definir a necessidade de intervenção coronariana percutânea (ICP) ou cirurgia de revascularização miocárdica (CRM). A internação em UTI é essencial para monitorização e tratamento intensivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar uma dor torácica como definitivamente anginosa (Tipo A)?

Uma dor é definitivamente anginosa quando apresenta três características clássicas: desconforto retroesternal (ou precordial) com qualidade típica (aperto, peso), desencadeado por esforço ou estresse emocional, e aliviado por repouso ou nitrato sublingual em poucos minutos. A dor em repouso, recorrente e intensa, como no caso, também é altamente sugestiva de isquemia.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de Síndrome Coronariana Aguda sem supra de ST?

A conduta inicial inclui internação hospitalar (preferencialmente em UTI), monitorização cardíaca contínua, acesso venoso, oxigenoterapia se hipoxemia, nitratos (se não houver contraindicação), antiagregantes plaquetários (AAS e clopidogrel/ticagrelor), anticoagulantes (heparina) e beta-bloqueadores (se não houver contraindicação).

Por que a internação em UTI é indicada para Síndrome Coronariana Aguda instável?

A internação em UTI é crucial devido ao alto risco de eventos adversos graves, como arritmias fatais, infarto agudo do miocárdio ou morte súbita. A UTI permite monitorização contínua, acesso rápido a intervenções e otimização do tratamento farmacológico.

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