HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
Um paciente de 54 anos de idade, com história de hipertensão arterial e dislipidemia, deu entrada no pronto-socorro com queixa de dor torácica retroesternal irradiada para a mandíbula há uma hora. Sinais vitais na entrada: pressão arterial de 140 x 90 mmHg; frequência cardíaca de 92; saturação de O2 de 94%; e frequência respiratória de 20. Exame cardiopulmonar: ritmo cardíaco regular, sem sopros; e presença de B3 e B4. Murmúrio vesicular audível bilateralmente, com estertores finos em ambas as bases. Eletrocardiograma revelou infradesnivelamento de ST.Com base nesse caso hipotético, julgue o item.A trombólise é contraindicada para o paciente.
SCA sem supra de ST (infra de ST/onda T invertida) → Trombólise é PROIBIDA.
Na Síndrome Coronariana Aguda sem supradesnivelamento do segmento ST, a trombólise aumenta a mortalidade e o risco de sangramento sem benefício clínico, sendo formalmente contraindicada.
A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é dividida em dois grandes grupos baseados no eletrocardiograma: com e sem supradesnivelamento do segmento ST. Essa distinção é fundamental porque reflete a fisiopatologia da obstrução. No supra de ST, há geralmente uma oclusão total da artéria por um trombo vermelho (rico em fibrina), onde a terapia de reperfusão (química ou mecânica) é salvadora de vidas. Já na SCA sem supra (incluindo infra de ST e inversão de onda T), a oclusão costuma ser subtotal por um trombo branco (rico em plaquetas). O uso de fibrinolíticos nesse cenário não dissolve o trombo plaquetário e pode expor o paciente a riscos desnecessários de sangramento intracraniano e sistêmico. O tratamento foca na estabilização da placa e prevenção de nova trombose.
Estudos clínicos demonstraram que, na ausência de oclusão coronariana total (caracterizada pelo supra de ST), o uso de fibrinolíticos não melhora o fluxo coronariano e aumenta significativamente o risco de hemorragias graves e eventos pró-trombóticos paradoxais devido à ativação plaquetária.
O manejo baseia-se em antiagregação plaquetária dupla (AAS + inibidor P2Y12), anticoagulação (heparina), nitratos e betabloqueadores, seguidos de estratificação de risco para decidir o tempo da cineangiocoronariografia (imediata, precoce ou tardia).
A trombólise (ou preferencialmente angioplastia primária) só está indicada se houver supradesnivelamento do segmento ST em duas derivações contíguas ou bloqueio de ramo esquerdo novo/presumivelmente novo em contexto clínico de infarto agudo do miocárdio.
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