TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente de 57 anos idade, previamente sem comorbidades, tabagista, um maço por dia. Refere que, após estresse no trabalho, apresentou dor precordial em queimação, irradiando para mandíbula, associado à náusea e ao mal-estar, há cerca de uma hora. Na chegada, apresentava pressão arterial 160 x 90 mmHg e FC 100 bpm. Restante do exame físico normal. Após nitrato SL. apresenta melhora completa da dor. ECG da chegada. conforme imagem a seguir. Qual é a conduta mais adequada para o paciente em questão?
Dor torácica típica + melhora com nitrato + ECG com infra de ST → Internação em UCO + Estratificação Invasiva < 24h.
Pacientes com dor precordial típica e alterações isquêmicas dinâmicas no ECG (como infra de ST) são classificados como alto risco, exigindo monitorização contínua e cineangiocoronariografia precoce.
A Síndrome Coronariana Aguda sem Supra de ST (SCASST) engloba a Angina Instável e o IAM sem supra de ST. O diagnóstico baseia-se na clínica de dor torácica isquêmica, alterações eletrocardiográficas (como inversão de onda T ou depressão de ST) e biomarcadores de necrose miocárdica. A estratificação de risco é fundamental para definir o tempo até a cineangiocoronariografia. Pacientes com dor persistente, instabilidade hemodinâmica ou arritmias graves requerem estratificação imediata (< 2h). Aqueles com alterações dinâmicas de ST ou troponina elevada (alto risco) devem ser submetidos ao procedimento em até 24 horas. O tratamento clínico inicial foca na estabilização da placa aterosclerótica e na prevenção de novos trombos.
A melhora da dor com nitrato não exclui a gravidade do quadro coronariano. Pacientes com alterações isquêmicas no ECG (como infra de ST) ou troponina positiva apresentam alto risco de eventos adversos maiores, como infarto transmural ou arritmias fatais. A monitorização em Unidade Coronariana (UCO) permite a detecção precoce de instabilidades e o início imediato de terapias antitrombóticas e anti-isquêmicas agressivas.
A estratificação invasiva precoce (cateterismo) em até 24 horas é indicada para pacientes de alto risco (escore GRACE > 140 ou alterações dinâmicas de ST). O objetivo é identificar a anatomia coronariana e realizar a revascularização (angioplastia ou cirurgia) antes que ocorra uma oclusão total do vaso ou necrose miocárdica extensa, reduzindo a mortalidade e o reinfarto a longo prazo.
Na suspeita de SCA, deve-se administrar imediatamente Ácido Acetilsalicílico (Aspirina) para inibição plaquetária. Dependendo da estratégia e do risco de sangramento, associa-se um segundo antiagregante (como Clopidogrel ou Ticagrelor) e anticoagulação plena (Enoxaparina ou Heparina Não Fracionada). Nitratos e betabloqueadores são usados para controle de sintomas e redução da demanda de oxigênio miocárdico, desde que não haja contraindicações.
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