UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015
Paciente de 67 anos foi admitido no pronto-socorro com quadro de dor torácica opressiva em repouso, com irradiação para a mandíbula, acompanhada de diaforese com duração de duas horas. Paciente é hipertenso, diabético, tabagista e dislipidêmico. O ECG apresenta infradesnivelamento de ST de 2 mm em parede lateral. Relata quadro semelhante há um ano, com melhora espontânea em casa. Diante do quadro clínico apresentado, quais medicações devem ser administradas no pronto-socorro que as publicações científicas demonstram gerar redução de mortalidade em pacientes com esse diagnóstico?
SCA sem supra ST → AAS + Clopidogrel + Heparina = ↓ Mortalidade comprovada.
O tratamento inicial da SCA sem supra de ST foca na estabilização da placa e prevenção de novos trombos com antiagregantes e anticoagulantes, que são os pilares para redução de óbito.
O manejo da Síndrome Coronariana Aguda (SCA) sem supradesnivelamento do segmento ST baseia-se na fisiopatologia da ruptura ou erosão de uma placa aterosclerótica com formação de trombo não oclusivo. A terapia antitrombótica é o pilar central para evitar a oclusão total do vaso e reduzir eventos isquêmicos recorrentes e morte. A dupla antiagregação plaquetária (DAPT), geralmente com AAS e um inibidor do receptor P2Y12, deve ser iniciada o mais rápido possível após o diagnóstico. A anticoagulação, preferencialmente com Heparina de Baixo Peso Molecular (Enoxaparina) ou Fondaparinux, complementa a inibição da cascata de coagulação. Pacientes com múltiplos fatores de risco (diabetes, hipertensão, tabagismo, idade avançada) e alterações dinâmicas no ECG, como o infradesnivelamento de ST, são classificados como de alto risco e se beneficiam significativamente dessa abordagem agressiva inicial. Além disso, estatinas de alta potência e betabloqueadores (se não houver contraindicações como insuficiência cardíaca aguda ou bradicardia) são indicados para estabilização da placa e redução de remodelamento cardíaco a longo prazo.
As principais classes de medicamentos com evidência de redução de mortalidade na fase aguda da Síndrome Coronariana Aguda (SCA) sem supra de ST são os antiagregantes plaquetários (AAS e inibidores do P2Y12 como clopidogrel, ticagrelor ou prasugrel) e os anticoagulantes (heparinas). O AAS atua de forma irreversível na COX-1, enquanto o clopidogrel bloqueia o receptor de ADP, oferecendo uma proteção sinérgica contra a trombose coronariana. As heparinas (HNF ou HBPM) impedem a progressão do trombo já formado e a reoclusão vascular.
Não. Embora os nitratos e a morfina sejam fundamentais para o manejo da dor e do desconforto isquêmico (aliviando a pré-carga e a ansiedade), eles não demonstraram redução de mortalidade em grandes estudos clínicos. São considerados medicamentos sintomáticos. O uso de nitratos deve ser cauteloso em pacientes com suspeita de infarto de ventrículo direito ou uso recente de inibidores da fosfodiesterase-5, devido ao risco de hipotensão severa.
O ECG é crucial para a estratificação inicial. Na SCA sem supra de ST, o eletrocardiograma pode mostrar infradesnivelamento do segmento ST (como os 2mm em parede lateral do caso), inversão de onda T ou até mesmo ser normal. A ausência de supra de ST direciona o tratamento para a estabilização medicamentosa e estratificação de risco (TIMI ou GRACE score) para decidir o tempo ideal da cineangiocoronariografia (cateterismo), que pode ser imediata, precoce ou eletiva.
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