Infradesnivelamento ST: Identificação e Significado na SCA

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 62 anos refere dor epigástrica em queimação de forte intensidade com irradiação para região retroesternal e membros superiors, com duração, até o momento, de 50 minutos. Exame físico normal. ECG: infradesnivelamento de segmento ST maior que 1 mm em derivações inferiores.Considerando as diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia para síndrome coronariana aguda, pode-se afirmar, corretamente, que

Alternativas

  1. A) é possível inferir a artéria culpada pelo evento coronariano agudo a partir da alteração eletrocardiográfica descrita.
  2. B) na evolução natural da isquemia miocárdica, a alteração eletrocardiográfica descrita é precedida de inversão simétrica de onda T.
  3. C) a apresentação clínica e eletrocardiográfica desta paciente é compatível com suboclusão coronariana, não sendo possível a oclusão total.
  4. D) a alteração eletrocardiográfica mencionada é compatível com lesão miocárdica do tipo isquemia.

Pérola Clínica

Infradesnivelamento ST no ECG = isquemia miocárdica, compatível com SCA sem supra de ST.

Resumo-Chave

O infradesnivelamento do segmento ST no eletrocardiograma é um sinal clássico de isquemia miocárdica subendocárdica, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio ao miocárdio. Em um contexto de dor torácica anginosa, mesmo com exame físico normal, sugere fortemente uma síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST.

Contexto Educacional

A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é uma emergência médica que abrange um espectro de condições, desde angina instável até infarto agudo do miocárdio com ou sem supradesnivelamento do segmento ST. É uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular globalmente, sendo crucial para residentes e profissionais de saúde o reconhecimento precoce e manejo adequado. A apresentação clínica pode ser variada, incluindo dor torácica típica ou atípica, como a dor epigástrica descrita na questão. A fisiopatologia da SCA envolve a ruptura de uma placa aterosclerótica em uma artéria coronária, levando à formação de um trombo que obstrui parcial ou totalmente o fluxo sanguíneo. O eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações é a ferramenta diagnóstica inicial mais importante. O infradesnivelamento do segmento ST, como observado na paciente, é um achado eletrocardiográfico que indica isquemia subendocárdica e é compatível com SCA sem supradesnivelamento do segmento ST (NSTEMI ou angina instável). É fundamental correlacionar os achados do ECG com a clínica do paciente para uma suspeita diagnóstica precisa. O tratamento da SCA sem supradesnivelamento do ST visa restaurar o equilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio, prevenir a progressão da isquemia e evitar eventos trombóticos. Inclui terapia antiplaquetária dupla (AAS e um inibidor P2Y12), anticoagulação (heparina), nitratos para alívio da dor, betabloqueadores e estatinas. A estratificação de risco é essencial para definir a necessidade e o tempo de uma estratégia invasiva (cateterismo cardíaco). O prognóstico depende da extensão da lesão miocárdica e da rapidez do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais eletrocardiográficos de isquemia miocárdica?

Os sinais eletrocardiográficos de isquemia miocárdica incluem infradesnivelamento do segmento ST, inversão de onda T simétrica e, em casos mais graves, supradesnivelamento do segmento ST.

Qual a conduta inicial para um paciente com dor torácica e infradesnivelamento de ST?

A conduta inicial envolve estabilização do paciente, oxigenoterapia se hipoxemia, nitratos, antiagregantes plaquetários (AAS e clopidogrel/ticagrelor) e heparina, além de estratificação de risco para definir a necessidade de intervenção coronariana.

Como diferenciar dor epigástrica de origem cardíaca de outras causas?

A dor epigástrica de origem cardíaca frequentemente irradia para o braço esquerdo, pescoço ou mandíbula, é desencadeada por esforço e aliviada por repouso ou nitratos, e pode vir acompanhada de sudorese, náuseas e dispneia. O ECG e biomarcadores cardíacos são cruciais para o diagnóstico diferencial.

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