Angina Instável: Tratamento Farmacológico Essencial

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

Homem, 66 anos de idade, da entrada na UPA queixando-se de desconforto precordial em aperto, há cerca de três semanas, inicialmente aos grandes esforços e, nos últimos dias, mesmo aos pequenos esforços. No momento, queixa-se de dor grau 7/10 em repouso. É portador de Diabetes Mellitus tipo 2 e de hipertensão, em uso de metformina, losartana e ácido acetilsalicílico, além de tabagista de 20 anos/maço. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, com fácies de dor. PA: 200x120mmHg, FC: 100bpm, SatO₂ 94%, IMC: 33Kg/m². Ausculta cardiorrespiratória e exame abdominal sem alterações. Extremidades bem perfundidas, sem edemas, com pulsos simétricos. Realizado eletrocardiograma com achado de alterações da repolarização ventricular em V1 a V3 e ondas T positivas e simétricas em V5 e V6. Marcadores de necrose miocárdica da entrada negativos. Indique o tratamento farmacológico mais adequado para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Ácido acetilsalicílico, clopidogrel, nitroglicerina, morfina, metoprolol, atorvastatina. 
  2. B) Ácido acetilsalicílico, clopidogrel, nitroglicerina, heparina não fracionada, alteplase, metoprolol.
  3. C) Clopidogrel, nitroprussiato de sódio, heparina não fracionada, abciximab, metoprolol, atorvastatina.
  4. D) Ácido acetilsalicílico, nitroprussiato de sódio, morfina, heparina não fracionada, metoprolol, enalapril.

Pérola Clínica

Angina instável (SCA sem supra) → antiagregação dupla, nitrato, betabloqueador, estatina, morfina.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro de Síndrome Coronariana Aguda sem supradesnivelamento do segmento ST (SCA sem supra), provavelmente angina instável, devido à dor precordial em repouso e marcadores negativos. O tratamento farmacológico inicial visa estabilizar o paciente, reduzir a isquemia e prevenir eventos trombóticos.

Contexto Educacional

A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) sem supradesnivelamento do segmento ST engloba a angina instável e o infarto agudo do miocárdio sem supra. A angina instável é caracterizada por dor precordial isquêmica em repouso, de início recente, ou angina previamente estável que se torna mais frequente, intensa ou de menor esforço, sem elevação dos marcadores de necrose miocárdica. É uma condição grave que reflete uma ruptura de placa aterosclerótica com trombose não oclusiva. O tratamento farmacológico inicial visa estabilizar o paciente, aliviar a dor, reduzir a isquemia e prevenir a progressão do trombo. Inclui antiagregação plaquetária dupla (ácido acetilsalicílico e um inibidor P2Y12 como clopidogrel), anticoagulação (heparina não fracionada ou de baixo peso molecular), nitratos para vasodilatação e alívio da dor, betabloqueadores para reduzir a demanda miocárdica de oxigênio e estatinas de alta intensidade para estabilização da placa. A morfina é reservada para dor refratária. Para residentes, é fundamental reconhecer rapidamente a angina instável e iniciar o tratamento adequado. A estratificação de risco (TIMI, GRACE) ajuda a guiar a necessidade de intervenção coronariana percutânea precoce. O manejo agressivo e completo é essencial para melhorar o prognóstico e reduzir a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento farmacológico inicial da angina instável?

Os pilares incluem antiagregação plaquetária dupla (AAS + inibidor P2Y12), anticoagulação (heparina), nitratos para alívio da dor, betabloqueadores para controle da frequência cardíaca e isquemia, e estatinas de alta intensidade.

Por que a morfina é utilizada na angina instável?

A morfina é utilizada para alívio da dor isquêmica refratária à nitroglicerina, além de possuir efeitos ansiolíticos e venodilatadores que podem reduzir a pré-carga e o consumo de oxigênio miocárdico.

Qual a importância da antiagregação plaquetária dupla na SCA sem supra?

A antiagregação plaquetária dupla (AAS e clopidogrel, ticagrelor ou prasugrel) é crucial para inibir a formação de trombos e prevenir eventos isquêmicos recorrentes, sendo um componente central no manejo da SCA.

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