Cocaína e Dor Precordial: Manejo da Isquemia Miocárdica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 25 anos atendido em serviço de emergência apresenta dor precordial de forte intensidade, em aperto, que irradia para membro superior esquerdo, relatando ainda uso de álcool e cocaína feito nas últimas horas. Ao exame, o paciente apresenta-se ansioso, hipertenso e taquicárdico. O eletrocardiograma (ECG) de admissão evidencia taquicardia sinusal, com infradesnivelamento do segmento ST nas derivações V4, V5 e V6. A primeira dosagem de troponina foi positiva. A fisiopatologia mais provável da precordialgia e a medicação que deve ser evitada no seu manejo nesse momento, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) dissecção de aorta / aspirina
  2. B) trombose de artéria coronária / nitroglicerina
  3. C) vasoconstrição coronariana / betabloqueador
  4. D) miocardite aguda / bloqueador de canal de cálcio

Pérola Clínica

Dor precordial + uso cocaína + ECG isquêmico + troponina ↑ → Vasoconstrição coronariana; EVITAR betabloqueador.

Resumo-Chave

O uso de cocaína é uma causa importante de síndrome coronariana aguda em jovens, principalmente por induzir intensa vasoconstrição coronariana e espasmo. Nesses casos, betabloqueadores são contraindicados, pois podem exacerbar a vasoconstrição coronariana ao bloquear a vasodilatação mediada por receptores beta, deixando a alfa-estimulação adrenérgica sem oposição.

Contexto Educacional

A dor precordial em um paciente jovem com histórico de uso de cocaína é uma apresentação clínica desafiadora e grave na emergência. A cocaína é um potente estimulante do sistema nervoso simpático, e seu uso está associado a uma série de complicações cardiovasculares, incluindo síndromes coronarianas agudas (SCA), arritmias e dissecção aórtica. A idade jovem do paciente não exclui a possibilidade de doença coronariana, especialmente com o uso de substâncias. A fisiopatologia da isquemia miocárdica induzida por cocaína é multifatorial. O principal mecanismo é a intensa vasoconstrição das artérias coronárias, levando a espasmo e redução do fluxo sanguíneo. Além disso, a cocaína aumenta a demanda miocárdica de oxigênio ao elevar a frequência cardíaca, a pressão arterial e a contratilidade. Pode também promover trombose e acelerar a aterosclerose. O ECG com infradesnivelamento do segmento ST e a troponina positiva confirmam a lesão miocárdica e a síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do ST. O manejo da SCA induzida por cocaína difere do manejo padrão. Benzodiazepínicos são frequentemente usados para reduzir a ansiedade, taquicardia e hipertensão. Nitratos (nitroglicerina) e bloqueadores dos canais de cálcio (ex: verapamil, diltiazem) são as medicações de escolha para reverter o espasmo coronariano e aliviar a isquemia. CRITICAMENTE, os betabloqueadores são CONTRAINDICADOS, pois podem piorar a vasoconstrição coronariana ao bloquear os receptores beta-2 (vasodilatadores), deixando a estimulação alfa-adrenérgica (vasoconstritora) sem oposição. A aspirina e heparina são geralmente indicadas, a menos que haja contraindicações.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo da dor precordial e isquemia miocárdica induzida por cocaína?

A cocaína causa dor precordial e isquemia miocárdica principalmente por induzir vasoconstrição coronariana (espasmo), aumentar a demanda miocárdica de oxigênio (taquicardia, hipertensão) e promover trombose.

Quais medicações devem ser evitadas no manejo da síndrome coronariana aguda induzida por cocaína?

Betabloqueadores são contraindicados, pois podem piorar a vasoconstrição coronariana. Nitroglicerina e bloqueadores dos canais de cálcio são as opções preferenciais para aliviar o espasmo.

Qual a conduta inicial para um paciente com dor precordial e uso recente de cocaína?

A conduta inicial inclui oxigênio (se hipoxemia), monitorização cardíaca, acesso venoso, e administração de benzodiazepínicos para ansiedade e taquicardia. Para a dor e isquemia, nitratos e bloqueadores dos canais de cálcio são indicados.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo