FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Paciente de 61 anos, feminina, admitida em hospital terciário com dor epigástrica tipo aperto, de forte intensidade, iniciada há quatro horas, acompanhada de sudorese, náuseas e irradiada para os membros superiores. Ao exame físico: PA: 150/80 mmHg. Frequência cardíaca: 98 bpm. Precórdio: ritmo cardíaco irregular, bulhas normofonéticas, sem sopros. Pulmonar:murmúrio vesicular simétrico e mantido bilateralmente, sem ruídos adventícios. Foi traçado o seguinte eletrocardiograma. Qual é o melhor tratamento?
SCA com supra: reperfusão imediata (angioplastia primária) + AAS, clopidogrel, enoxaparina, estatina.
O tratamento da Síndrome Coronariana Aguda (SCA), especialmente com supradesnivelamento do segmento ST (SCASST), exige reperfusão imediata, preferencialmente por angioplastia primária. A terapia farmacológica adjuvante inclui dupla antiagregação plaquetária (AAS + inibidor P2Y12), anticoagulação (heparina) e estatina de alta potência para estabilização da placa e prevenção de eventos futuros.
A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é uma condição grave que abrange o infarto agudo do miocárdio com e sem supradesnivelamento do segmento ST (SCASST e SCASST sem supra) e a angina instável. É uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular globalmente. O reconhecimento rápido dos sintomas, a interpretação do eletrocardiograma e a instituição do tratamento adequado são pilares para a melhora do prognóstico dos pacientes, sendo um tema central na formação médica. A fisiopatologia da SCA envolve a ruptura de uma placa aterosclerótica em uma artéria coronária, levando à formação de um trombo que obstrui parcial ou totalmente o fluxo sanguíneo miocárdico. O diagnóstico é baseado na tríade de dor torácica isquêmica, alterações eletrocardiográficas e elevação de biomarcadores cardíacos. O ECG é crucial para diferenciar SCASST (que exige reperfusão imediata) de SCA sem supra. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco cardiovascular e sintomas atípicos, como dor epigástrica. O tratamento da SCA é multifacetado e visa a reperfusão miocárdica, a prevenção de novos eventos e o manejo das complicações. Para SCASST, a angioplastia primária é a estratégia preferencial se realizada em tempo hábil. A terapia farmacológica inclui dupla antiagregação plaquetária (AAS + inibidor P2Y12), anticoagulação (heparina), betabloqueadores, IECA/BRA e estatinas de alta potência. O manejo adequado e a rápida intervenção são essenciais para preservar a função miocárdica e salvar vidas.
A cineangiocoronariografia é fundamental para identificar a artéria coronária ocluída e permitir a realização da angioplastia primária, que é a estratégia de reperfusão de escolha para o infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (SCASST) quando disponível em tempo hábil.
A dupla antiagregação (AAS e um inibidor P2Y12 como clopidogrel ou prasugrel) é crucial para prevenir a formação de novos trombos e a reoclusão da artéria coronária após a reperfusão, melhorando o prognóstico do paciente.
Estatinas de alta potência (como rosuvastatina ou atorvastatina) devem ser iniciadas precocemente em pacientes com SCA, independentemente dos níveis de colesterol, devido aos seus efeitos pleiotrópicos, como estabilização da placa aterosclerótica, redução da inflamação e melhora da função endotelial.
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