Dor Torácica Pós-Crack: Manejo da SCA e Dissecção

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 35 anos, previamente hipertenso, estava em um festival de rock e fumou crack pela primeira vez. Cerca de 60 minutos depois, começou a sentir dor torácica de forte intensidade, apresentando palidez, palpitações e sudorese. Assinale a alternativa CORRETA em relação ao caso descrito.

Alternativas

  1. A) Caso o eletrocardiograma seja normal, deve-se solicitar tomografia de tórax com contraste.
  2. B) A doença coronariana relacionada ao uso de cocaína e seus derivados é observada após uso crônico; então, é pouco provável que esse paciente esteja com síndrome coronariana aguda.
  3. C) A lesão cardíaca é dependente de vasoconstricção coronária. O tratamento se baseia no uso de vasodilatadores como nitratos e bloqueadores dos canais de cálcio, não havendo necessidade de antiagregantes.
  4. D) Se a frequência cardíaca de admissão for maior que 120 bpm, deve ser feita infusão de metoprolol.
  5. E) Se houver elevação do segmento ST no eletrocardiograma e a dor não ceder após seis horas de terapia vasodilatadora, o paciente deverá ser submetido à angiografia coronária.

Pérola Clínica

Dor torácica pós-crack/cocaína → SCA ou dissecção aórtica; ECG normal não exclui, BB contraindicados.

Resumo-Chave

O uso de crack ou cocaína pode induzir síndrome coronariana aguda (SCA) por vasoconstrição coronariana e aumento da demanda miocárdica, mesmo em uso único. A dor torácica nesses casos também levanta a suspeita de dissecção aórtica, justificando investigação adicional com imagem se o ECG for normal.

Contexto Educacional

A dor torácica após o uso de crack ou cocaína é uma emergência médica grave, com alta prevalência em prontos-socorros. A cocaína é um potente vasoconstritor e estimulante adrenérgico, que pode precipitar eventos cardiovasculares mesmo em indivíduos jovens e sem doença coronariana prévia. A fisiopatologia envolve vasoconstrição coronariana, aumento da demanda miocárdica, trombose e dissecção aórtica. O diagnóstico diferencial inclui síndrome coronariana aguda (SCA) e dissecção aórtica. Um eletrocardiograma normal não exclui essas condições, sendo fundamental a investigação complementar. O tratamento da SCA induzida por cocaína inclui vasodilatadores (nitratos, bloqueadores de canais de cálcio) e sedação. Betabloqueadores são contraindicados devido ao risco de vasoconstrição coronariana paradoxal. A dissecção aórtica requer diagnóstico rápido e, frequentemente, intervenção cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos cardíacos do uso de crack ou cocaína?

O uso de crack ou cocaína pode causar vasoconstrição coronariana, aumento da demanda miocárdica, trombose e dissecção aórtica, levando a síndromes coronarianas agudas e arritmias.

Por que betabloqueadores são contraindicados na SCA induzida por cocaína?

Betabloqueadores são contraindicados porque podem exacerbar a vasoconstrição coronariana ao bloquear os receptores beta, deixando os receptores alfa desimpedidos e aumentando a pressão arterial e a isquemia.

Quando suspeitar de dissecção aórtica em pacientes com dor torácica e uso de cocaína?

Suspeitar de dissecção aórtica em pacientes com dor torácica intensa, súbita, irradiando para as costas, com assimetria de pulsos ou pressão arterial, especialmente se o ECG for normal.

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