UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015
Um paciente de sessenta anos de idade compareceu à emergência de um hospital queixando-se de dor precordial em aperto de forte intensidade que tinha se iniciado, havia trinta minutos, imediatamente após acordar. O exame físico mostrou pressão arterial de 150 mmHg × 100 mmHg, frequência cardíaca de 100 bpm, frequência respiratória de 20 irpm, temperatura de 36 ºC e saturação de oxigênio de 97%. A ausculta cardíaca mostrou ritmo cardíaco em 3 tempos com presença da quarta bulha.Com referência ao caso clínico acima apresentado, Julgue o item seguinte.O paciente em questão deve ser submetido imediatamente a exame de eletrocardiograma.
Dor torácica suspeita → ECG de 12 derivações em até 10 minutos da chegada.
A agilidade na realização do ECG é o pilar do diagnóstico das síndromes coronarianas, permitindo a identificação imediata de supradesnivelamento do segmento ST.
A dor precordial é uma das causas mais frequentes de procura ao pronto-socorro e exige uma abordagem sistemática para descartar condições fatais. O eletrocardiograma de 12 derivações é o exame complementar mais importante, sendo a ferramenta diagnóstica inicial para classificar a síndrome coronariana em 'com supra de ST' ou 'sem supra de ST'. No caso clínico apresentado, o paciente possui fatores de risco (idade, hipertensão) e sintomas típicos (dor em aperto, início súbito, presença de B4). A realização imediata do ECG é mandatória. Além das 12 derivações clássicas, em casos de dor persistente e ECG inicial normal, deve-se considerar derivações adicionais (V7, V8 para parede posterior e V3R, V4R para ventrículo direito) para não negligenciar áreas silenciosas ao ECG convencional.
O tempo porta-ECG ideal é de, no máximo, 10 minutos. Isso significa que, desde o momento em que o paciente com dor torácica suspeita entra no hospital, o eletrocardiograma deve ser realizado e interpretado por um médico treinado dentro desse intervalo. Esse rigor existe porque o tempo é músculo: quanto mais rápido o diagnóstico de um IAM com supra de ST, mais rápida será a reperfusão (fibrinolítico ou angioplastia).
A quarta bulha cardíaca (B4) ocorre pela contração atrial contra um ventrículo esquerdo com complacência diminuída. No contexto de dor precordial aguda, a B4 sugere disfunção diastólica aguda causada por isquemia miocárdica. A isquemia torna o miocárdio 'rígido' durante a diástole, facilitando o surgimento desse ruído acessório, o que reforça a suspeita clínica de síndrome coronariana aguda.
Não. Um único ECG normal ou inespecífico não exclui Síndrome Coronariana Aguda (SCA). Cerca de 50% dos pacientes com SCA podem apresentar um ECG inicial não diagnóstico. Por isso, se a suspeita clínica persistir, é obrigatório realizar ECGs seriados (a cada 15-30 minutos ou se houver recorrência da dor) e avaliar a curva de biomarcadores de necrose miocárdica, como a troponina.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo