Dor Torácica e Hipertensão: Abordagem da Síndrome Coronariana Aguda

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Durante o atendimento de um paciente de 79 anos de idade com quadro de anemia, o médico informou que o hemograma estava repleto de blastos e indicou a internação hospitalar, pois tratava-se de uma leucemia. A esposa do paciente, de 75 anos de idade, não conseguiu se controlar, chorando compulsivamente. Em seguida, ela começou a relatar desconforto torácico e falta de ar. Ela era diabética, hipertensa, não tinha nenhum outro antecedente mórbido e o exame físico é normal, exceto pela pressão arterial (PA) de 185 x 115 mmHg em ambos os braços superiores.Nesse momento, constitui uma conduta correta em relação a essa senhora:

Alternativas

  1. A) prescrever 25mg de captopril oral e rever a PA em 60 minutos; se não houver redução da PA, repetir a dose do captopril.
  2. B) prescrever 50mg de captopril oral, um benzodiazepínico intravenoso e fornecer suporte de acordo com as regras de humanização.
  3. C) realizar o eletrocardiograma imediatamente e prescrever aspirina, prasugrel, enoxaparina, nitroglicerina e atorvastatina.
  4. D) realizar o eletrocardiograma e, se não houver elevação de segmento ST, tratar como síndrome coronariana aguda e solicitar troponina cardíaca sérica.

Pérola Clínica

Dor torácica + dispneia + HAS elevada em estresse agudo → ECG imediato para excluir SCA, mesmo sem sinais de dano em órgão-alvo.

Resumo-Chave

Em pacientes com hipertensão arterial elevada e sintomas sugestivos de síndrome coronariana aguda (dor torácica, dispneia), especialmente em contexto de estresse emocional agudo, a prioridade é realizar um eletrocardiograma imediato para descartar elevação do segmento ST. Se não houver, a investigação para SCA sem supra de ST (com troponina) e o manejo da crise hipertensiva devem ser feitos simultaneamente.

Contexto Educacional

A dor torácica é um sintoma comum e preocupante, que exige uma avaliação rápida e sistemática para excluir condições de risco de vida, como a síndrome coronariana aguda (SCA). Em pacientes idosos, diabéticos e hipertensos, a apresentação da SCA pode ser atípica, com sintomas como dispneia ou desconforto inespecífico. O estresse emocional agudo, como o vivenciado pela esposa do paciente, pode precipitar eventos cardiovasculares e causar elevações significativas da pressão arterial. A fisiopatologia da SCA envolve a ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de trombo, levando à oclusão parcial ou total de uma artéria coronária. A hipertensão arterial é um fator de risco importante para doença aterosclerótica e pode agravar a isquemia miocárdica. O diagnóstico inicial da SCA baseia-se no eletrocardiograma (ECG) e na dosagem de biomarcadores cardíacos, como a troponina. Na presença de dor torácica e dispneia, mesmo com exame físico normal (exceto pela PA elevada), a conduta inicial deve priorizar a exclusão de SCA. Um ECG deve ser realizado imediatamente. Se houver elevação do segmento ST, trata-se de infarto com supra de ST. Se não houver, mas a suspeita clínica for alta, o paciente deve ser tratado como SCA sem supra de ST, com dosagem de troponina e manejo adequado da crise hipertensiva, que neste caso pode ser reativa ao evento isquêmico ou ao estresse emocional.

Perguntas Frequentes

Quais são os passos iniciais na avaliação de um paciente com dor torácica e hipertensão arterial elevada?

Os passos iniciais incluem a avaliação rápida dos sinais vitais, obtenção de um eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações em até 10 minutos para identificar elevação do segmento ST, e avaliação clínica para identificar outros sinais de dano em órgão-alvo ou causas de dor torácica.

Como o estresse emocional agudo pode influenciar a apresentação de uma síndrome coronariana aguda?

O estresse emocional agudo pode desencadear ou agravar uma síndrome coronariana aguda (SCA) através da ativação simpática, aumento da demanda miocárdica de oxigênio, vasoconstrição coronariana e potencial ruptura de placa aterosclerótica. Pode também causar hipertensão reativa, mascarando o quadro.

Qual a diferença entre urgência e emergência hipertensiva e como isso afeta a conduta?

Urgência hipertensiva é uma elevação grave da pressão arterial sem evidência de dano agudo em órgão-alvo, permitindo redução gradual da PA em horas a dias. Emergência hipertensiva é uma elevação grave da PA com dano agudo em órgão-alvo, exigindo redução imediata e controlada da PA, geralmente intravenosa. A presença de dor torácica e dispneia sugere emergência ou SCA.

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