SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022
Paciente 60 anos, sexo masculino, hipertenso e tabagista, chega ao pronto-socorro por ter apresentado episódio de dor torácica em aperto de 40 minutos de duração 2 horas antes em seu domicílio, após desentendimento familiar, que melhorou após ficar cerca de uma hora em repouso. Na admissão eletrocardiograma realizado é considerado normal pelo médico de plantão, que administra aspirina, colhe marcadores de necrose miocárdica e deixa o paciente em observação na sala vermelha. Após 40 minutos da chegada, ainda sem resultados de exames laboratoriais, paciente volta a apresentar dor torácica em aperto e novo eletrocardiograma evidencia supradesnivelamento do segmento ST. O médico de plantão aciona a equipe da hemodinâmica, que realiza uma cinecoronariografia. A conduta estabelecida pelo médico da emergência pode ser considerada:
SCA com supra ST no ECG = Angioplastia primária urgente (tempo porta-balão < 90-120 min).
A presença de supradesnivelamento do segmento ST no eletrocardiograma é um sinal inequívoco de oclusão coronariana aguda e indica a necessidade de reperfusão miocárdica urgente. A angioplastia primária é a estratégia preferencial, com metas de tempo porta-balão rigorosas para minimizar o dano miocárdico.
A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) representa uma oclusão completa e persistente de uma artéria coronária, resultando em necrose miocárdica. É uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento e tratamento imediatos. A epidemiologia mostra que fatores de risco como hipertensão, tabagismo, diabetes e dislipidemia são prevalentes nesses pacientes. A fisiopatologia central é a ruptura de uma placa aterosclerótica, levando à formação de um trombo que oclui a artéria coronária. O diagnóstico é primariamente clínico (dor torácica típica) e eletrocardiográfico (supra de ST). A suspeita deve ser alta em pacientes com dor torácica isquêmica, especialmente com fatores de risco cardiovascular. Marcadores de necrose miocárdica, como troponinas, confirmam o dano, mas não devem atrasar a reperfusão. O tratamento definitivo é a reperfusão miocárdica urgente, preferencialmente por angioplastia primária, com o objetivo de restaurar o fluxo sanguíneo na artéria ocluída. O tempo é músculo, e a meta é um tempo porta-balão inferior a 90 minutos. Se a angioplastia não for viável em tempo hábil, a trombólise farmacológica é uma alternativa. Além da reperfusão, o manejo inclui terapia antiplaquetária dupla, anticoagulação, betabloqueadores e estatinas, visando estabilizar o paciente e prevenir novos eventos.
Os critérios incluem supradesnivelamento do segmento ST em duas ou mais derivações contíguas: ≥ 2,5 mm em homens < 40 anos, ≥ 2 mm em homens ≥ 40 anos, ou ≥ 1,5 mm em mulheres em V2-V3; ou ≥ 1 mm em outras derivações.
A angioplastia primária é a desobstrução mecânica da artéria coronária por cateterismo, sendo a preferencial. A trombólise é a administração de fármacos para dissolver o trombo, usada quando a angioplastia não está disponível em tempo hábil.
O "tempo porta-balão" é o intervalo desde a chegada do paciente ao hospital até a insuflação do balão na artéria coronária. É crucial que seja o mais curto possível, idealmente < 90 minutos em hospitais com angioplastia e < 120 minutos em hospitais que transferem o paciente, para minimizar a área de infarto e melhorar o prognóstico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo