Tratamento da Síndrome Coronariana Aguda: Protocolo de Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um homem de 45 anos de idade procura a Emergência de um hospital com queixa de desconforto torácico retroesternal associado a náuseas e dispneia. Segundo ele, os sintomas se iniciaram em repouso, após a refeição, há cerca de 30 minutos, sem alívio. O paciente não tem história pregressa de doenças crônicas e não faz uso de qualquer medicação. Ao exame físico, encontra-se ansioso, PA = 140 x 90 mmHg, FC = 130 bpm, ausculta cardíaca com ritmo regular em dois tempos, bulhas normofonéticas, estertores crepitantes em bases na ausculta pulmonar e pulsos periféricos presentes, cheios e simétricos. Foi realizado o ECG, apresentado a seguir: Posteriormente, realizou-se avaliação de troponina I, que resultou positiva. Desse modo, após o exame, na sala de emergência, administrou-se oxigenioterapia, morfina, ácido acetilsalicílico, nitroglicerina e metoprolol. Neste momento, quais medicamentos deveriam ser associados à terapêutica já instituída para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Ticlopidina, tirofibran e verapamil.
  2. B) Clopidogrel, enoxaparina e enalapril.
  3. C) Alteplase, enoxaparina e valsartana.
  4. D) Heparina, estreptoquinase e esmolol.

Pérola Clínica

IAM com troponina (+) → Dupla antiagregação (AAS + P2Y12) + Anticoagulação + IECA/Beta-bloq.

Resumo-Chave

Na SCA com troponina positiva, além do manejo inicial de dor e oxigenação, é mandatório associar um segundo antiagregante (Clopidogrel), anticoagulação (Enoxaparina) e estabilização neuro-humoral (IECA).

Contexto Educacional

O manejo da Síndrome Coronariana Aguda (SCA) exige uma abordagem multifatorial rápida. O paciente apresenta sinais de insuficiência cardíaca esquerda (estertores crepitantes) e troponina positiva, caracterizando um IAM sem supra de ST de alto risco ou um IAM com supra (dependendo do ECG não visualizado, mas o gabarito direciona para o manejo padrão de SCA). A terapia medicamentosa visa três pilares: antiagregação (AAS e Clopidogrel), anticoagulação (Enoxaparina) e redução da carga de trabalho cardíaco/remodelamento (Metoprolol e Enalapril). A morfina e a nitroglicerina auxiliam no controle da dor e pré-carga, mas não alteram a mortalidade como os antiagregantes e os IECA/Beta-bloqueadores fazem.

Perguntas Frequentes

Por que usar Clopidogrel associado ao AAS na SCA?

A dupla antiagregação plaquetária (DAPT) é fundamental para reduzir a taxa de eventos isquêmicos recorrentes e trombose de stent. O AAS inibe a ciclo-oxigenase 1, enquanto o Clopidogrel bloqueia o receptor P2Y12 de ADP. Essa combinação atua em vias diferentes da ativação plaquetária, oferecendo maior proteção em comparação ao uso isolado de AAS.

Qual a indicação da Enoxaparina no infarto?

A anticoagulação sistêmica com Enoxaparina (heparina de baixo peso molecular) ou Heparina Não Fracionada é indicada para todos os pacientes com SCA, independentemente da estratégia de reperfusão. Ela previne a propagação do trombo intracoronário e a formação de novos trombos murais, sendo mantida geralmente por 2 a 8 dias ou até a revascularização.

Quando iniciar o Enalapril no paciente com IAM?

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o Enalapril, devem ser iniciados nas primeiras 24 horas do IAM, especialmente em pacientes com congestão pulmonar (como o caso em questão, que apresenta estertores), fração de ejeção reduzida (<40%), hipertensão ou diabetes, visando reduzir o remodelamento cardíaco negativo.

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