Conduta na Síndrome Coronariana Aguda: Quando Indicar Cateterismo

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 70 anos, antecedente de HAS, diabetes melito tipo 2, dislipidemia e tabagismo. Admitido com quadro de dor torácica. Sinais vitais são: FC: 60 bpm PA: 150x90 mmHg, FR: 20 irpm, SatO2: 95%. ECG demonstrado na imagem a seguir:A conduta mais adequada para este paciente é: 

Alternativas

  1. A) Cateterismo.
  2. B) Implante de marcapasso definitivo.
  3. C) Teste de esforço.
  4. D) Internação em enfermaria.
  5. E) Alta hospitalar.

Pérola Clínica

Dor torácica + fatores de risco + ECG alterado → Estratificação invasiva (Cateterismo) precoce.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco e quadro de dor torácica aguda, a cineangiocoronariografia é essencial para definir a anatomia coronariana e guiar a revascularização.

Contexto Educacional

A abordagem da dor torácica no departamento de emergência exige uma triagem rápida e eficaz. Em pacientes idosos, a apresentação clínica pode ser atípica, mas a presença de comorbidades como diabetes, hipertensão e tabagismo eleva significativamente o risco de doença arterial coronariana obstrutiva. O eletrocardiograma é o pilar inicial, mas mesmo na ausência de supra de ST, a persistência dos sintomas ou a elevação de biomarcadores (troponina) impõe a necessidade de estratificação invasiva. O cateterismo cardíaco permite não apenas o diagnóstico definitivo da carga aterosclerótica, mas também a intervenção imediata. A decisão entre tratamento clínico, intervenção percutânea ou cirurgia de revascularização miocárdica baseia-se nos achados angiográficos e na complexidade das lesões (escore SYNTAX). O manejo agressivo em idosos tem demonstrado benefício em sobrevida, desde que respeitadas as contraindicações e o status funcional do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais as principais indicações de cateterismo na SCA?

O cateterismo cardíaco (cineangiocoronariografia) está indicado imediatamente em casos de Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) para angioplastia primária. Na SCA sem supra de ST (SCASSST), a indicação depende da estratificação de risco (escores GRACE ou TIMI). Pacientes de altíssimo risco (instabilidade hemodinâmica, dor persistente, arritmias graves) devem realizar o exame em até 2 horas. Pacientes de alto risco devem realizá-lo em até 24 horas.

Por que não realizar teste de esforço na fase aguda?

O teste de esforço é contraindicado na fase aguda da síndrome coronariana instável devido ao risco elevado de desencadear arritmias ventriculares fatais, infarto transmural ou ruptura cardíaca. O teste ergométrico é uma ferramenta de estratificação para pacientes estáveis e assintomáticos ou após a estabilização completa do quadro agudo, nunca durante a vigência de dor ou alterações isquêmicas agudas no ECG.

Qual o papel da angioplastia após o cateterismo?

A angioplastia transluminal percutânea é a intervenção terapêutica realizada frequentemente logo após o cateterismo diagnóstico. Ela visa desobstruir a artéria culpada pelo evento isquêmico através da insuflação de um balão e, quase invariavelmente, o implante de um stent (preferencialmente farmacológico). Essa conduta reduz a mortalidade e a recorrência de eventos isquêmicos em comparação ao tratamento conservador em pacientes de médio e alto risco.

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