SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Você é chamado no acolhimento para consultar João, um homem de 56 anos já conhecido no Centro de Saúde (CS) devido seus quadros de ansiedade paroxística que vem tendo com frequência nos últimos meses. Refere que hoje pela manhã, há aproximadamente 40 minutos, após uso de sildenafila em relação sexual, iniciou com queixa súbita de dor torácica precordial, tipo aperto, com irradiação para ambos os braços, ficando com sensação que ia desmaiar, sendo então levado pela esposa ao Centro de Saúde. Ao ser indagado, João refere que no último mês vinha sentindo uma dor semelhante, porém mais leve, sempre quando ia caminhar na praia ou andar de bicicleta, e que cessava ao ficar em repouso. Porém dessa vez sente que a dor ainda não passou por completo. Vem choroso e muito preocupado e sente que a dor pode ser relacionado a algo cardíaco. Nega tabagismo e etilismo. Possui como comorbidades diabetes mellitus controlada com um comprimido de metformina 850mg e toma sertralina 100mg para ansiedade. Ao exame físico: PA 170x90mmHg em ambos os membros superiores, FC 115bpm, Sat O2 96%, aparelho cardiovascular: bulhas rítmicas normofoneticas, sem sopros aparentes, palpação da parede torácica não reproduz a dor que sente no tórax; aparelho respiratório sem alterações significativas; sem sinais de trombose venosa periférica. No próprio CS você dispõe de eletrocardiógrafo portátil, realizando prontamente um ECG que veio normal. De acordo com o caso clínico e a probabilidade pré-teste para evento cardíaco do paciente, assinale a conduta correta a ser realizada na atenção primária:
Dor torácica + fatores risco + sildenafila + ECG normal = SCA de alta probabilidade; contraindicação nitrato com sildenafila.
Pacientes com dor torácica sugestiva de isquemia, fatores de risco cardiovascular e uso recente de sildenafila têm alta probabilidade pré-teste para SCA. O ECG normal não exclui SCA. A sildenafila contraindica o uso de nitratos devido ao risco de hipotensão grave.
A dor torácica é uma das queixas mais comuns na atenção primária e emergência, exigindo uma avaliação rápida e precisa para diferenciar causas benignas de condições potencialmente fatais, como a Síndrome Coronariana Aguda (SCA). A probabilidade pré-teste é crucial, baseando-se em fatores de risco (diabetes, hipertensão, dislipidemia, idade), características da dor (típica, atípica, pleurítica) e exame físico. A fisiopatologia da SCA envolve a ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de trombo, levando à oclusão parcial ou total de uma artéria coronária. O diagnóstico inicial é clínico, complementado por ECG e biomarcadores cardíacos. No caso apresentado, a dor torácica típica, a história de angina de esforço prévia e a presença de diabetes elevam a probabilidade pré-teste para SCA, mesmo com um ECG inicial normal. O manejo inicial da SCA inclui antiagregação plaquetária (AAS e clopidogrel), analgesia (morfina) e, quando indicado, nitratos. No entanto, o uso recente de sildenafila (inibidor de fosfodiesterase-5) contraindica absolutamente os nitratos devido ao risco de hipotensão grave. O paciente deve ser estabilizado e encaminhado imediatamente para um serviço de emergência hospitalar para investigação e tratamento definitivo.
Sinais de alerta incluem dor precordial tipo aperto, irradiação para braços/pescoço/mandíbula, associada a sudorese, náuseas, dispneia, e piora com esforço ou persistência em repouso.
A sildenafila é um inibidor da fosfodiesterase-5, que potencializa os efeitos vasodilatadores dos nitratos, podendo levar a hipotensão grave e choque.
Não, um ECG normal não exclui SCA. Em pacientes com alta probabilidade pré-teste e sintomas típicos, um ECG normal pode ocorrer em angina instável ou IAM sem supradesnivelamento do segmento ST.
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