SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Paciente de 67 anos, masculino, procurou atendimento na UPA devido quadro de dor torácica iniciado há 2 horas, descreve a dor como sensação de mal-estar, não conseguindo definir um local específico do peito, associado à sensação de queimação, com irradiação para membro superior esquerdo e sudorese. Refere que a dor se iniciou após retirar o lixo de seu domicílio, começando de maneira leve, porém, devido a piora da dor, procurou atendimento. Faz acompanhamento na UBS devido quadro de hipertensão arterial e Diabetes Mellitus, em uso irregular de insulina NPH, enalapril e alopurinol. Fuma 01 carteira de cigarros por dia, desde os 15 anos de idade. Ao exame físico, consciente, orientado, sudoreico, pálido, com fácies de dor, PA 120x80 mmHg em ambos os membros, FC 90 bpm, f 16 irpm, SpO2 94% em ar ambiente. Ausculta cardíaca e pulmonar normais. Abdome flácido. Pulsos periféricos simétricos e palpáveis. Devido quadro de dor, foi medicado com morfina venosa, com melhora dos sintomas, além de realizar o ECG a seguir.Dentro do contexto do caso, assinale o item que demonstra o melhor planejamento diagnóstico nesse momento.
Dor torácica suspeita de SCA → ECG na chegada + troponinas seriadas para diagnóstico e estratificação.
Em pacientes com dor torácica sugestiva de síndrome coronariana aguda, a avaliação inicial inclui um ECG de 12 derivações realizado em até 10 minutos da chegada e dosagens seriadas de troponinas de alta sensibilidade para detectar necrose miocárdica e guiar a conduta.
A dor torácica é uma queixa comum na emergência e a Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é uma das causas mais graves. A avaliação rápida e precisa é crucial para o prognóstico do paciente. O diagnóstico de SCA baseia-se na tríade: história clínica sugestiva, alterações eletrocardiográficas e elevação de biomarcadores cardíacos. O primeiro passo é a realização de um ECG de 12 derivações em até 10 minutos da chegada. Se houver supradesnivelamento do segmento ST, o diagnóstico de IAMCSST é estabelecido e a reperfusão deve ser iniciada imediatamente. Na ausência de supra de ST, a avaliação prossegue com a dosagem de biomarcadores cardíacos. As troponinas cardíacas de alta sensibilidade (TnT-hs ou TnI-hs) são os biomarcadores preferenciais devido à sua maior sensibilidade e especificidade. A dosagem seriada (geralmente na chegada e após 1-3 horas, dependendo do protocolo e do tipo de troponina) é fundamental para detectar a elevação e o padrão de ascensão/queda que confirmam a necrose miocárdica (IAM sem supra de ST). Biomarcadores antigos como CK-MB e mioglobina são menos sensíveis e específicos e não são mais recomendados como primeira linha.
As troponinas cardíacas (T ou I) de alta sensibilidade são os biomarcadores preferenciais, devido à sua alta sensibilidade e especificidade para necrose miocárdica.
O ECG seriado permite identificar alterações dinâmicas (como supra ou infra de ST, inversão de onda T) que podem indicar isquemia miocárdica em evolução, mesmo que o ECG inicial seja normal.
O primeiro ECG de 12 derivações deve ser realizado e interpretado em até 10 minutos da chegada do paciente ao serviço de emergência.
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