UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
Recém-nascido com 4 dias de vida, sexo feminino, é levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por apresentar, há cerca de 12 horas, dificuldade respiratória progressiva e recusa às mamadas, com piora importante nas últimas 2 horas. Mãe refere gestação sem intercorrências, sorologias negativas e triagem negativa para GBS. O parto foi vaginal, com bolsa rota no ato, com 39 semanas de idade gestacional. O bebê pesou 3.500 gramas e apresentou escore de Apgar de 9/10. Permaneceu em alojamento conjunto, sem intercorrências clínicas e teve alta com 48 horas de vida, após realizar o teste do pezinho (a mãe refere que não sabe se os testes do coraçãozinho, olhinho e orelhinha foram realizados). Ao exame, apresentava-se em mau estado geral, palidez acinzentada, taquidispneico, frequência cardíaca = 200 bpm, frequência respiratória = 80 ipm, sem sopros à ausculta cardíaca, pulsos periféricos reduzidos nos 4 membros, perfusão periférica > 5 segundos. O provável diagnóstico para esse caso é:
RN com taquicardia, taquidispneia, pulsos reduzidos e perfusão > 5s → choque cardiogênico, suspeitar de cardiopatia ducto-dependente (ex: SCIE).
O quadro clínico de um recém-nascido com 4 dias de vida, apresentando dificuldade respiratória progressiva, recusa alimentar, mau estado geral, palidez acinzentada, taquicardia, taquidispneia, pulsos periféricos reduzidos e tempo de enchimento capilar prolongado (>5s), é altamente sugestivo de choque cardiogênico. A Síndrome do Coração Esquerdo Hipoplásico (SCIE) é uma cardiopatia congênita ducto-dependente que se manifesta tipicamente após o fechamento do ducto arterioso, levando a essa apresentação grave.
A Síndrome do Coração Esquerdo Hipoplásico (SCIE) é uma cardiopatia congênita cianótica grave, caracterizada pelo subdesenvolvimento do ventrículo esquerdo, valva mitral e/ou aórtica, e aorta ascendente. É uma das cardiopatias mais letais no período neonatal se não diagnosticada e tratada precocemente. A SCIE é uma condição ducto-dependente, o que significa que a manutenção da vida do recém-nascido depende da patência do ducto arterioso para garantir o fluxo sanguíneo sistêmico. Clinicamente, os recém-nascidos com SCIE geralmente nascem bem, mas deterioram rapidamente nos primeiros dias de vida, à medida que o ducto arterioso começa a se fechar fisiologicamente. Apresentam sinais de choque cardiogênico, como taquicardia, taquipneia, dificuldade respiratória, palidez acinzentada, pulsos periféricos diminuídos ou ausentes e tempo de enchimento capilar prolongado. A ausculta cardíaca pode ser inespecífica, mas a palpação dos pulsos é crucial. O diagnóstico é confirmado por ecocardiograma. O tratamento inicial é uma emergência médica e consiste na estabilização do paciente e na infusão de Prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso aberto. O manejo definitivo envolve uma série de cirurgias paliativas (Norwood, Glenn, Fontan) ou transplante cardíaco. O reconhecimento precoce e a intervenção imediata são vitais para a sobrevida desses pacientes.
Sinais incluem taquicardia, taquipneia, dificuldade respiratória, palidez acinzentada, pulsos periféricos reduzidos ou ausentes, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos) e recusa alimentar.
A SCIE é uma cardiopatia ducto-dependente. Enquanto o ducto arterioso está aberto, o fluxo sanguíneo sistêmico é mantido. Com o fechamento fisiológico do ducto nos primeiros dias de vida, a circulação sistêmica colapsa, levando ao choque.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica e a infusão imediata de Prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso pérvio, permitindo o fluxo sanguíneo sistêmico e evitando o colapso circulatório.
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