Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Manejo Urgente

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015

Enunciado

João Carlos, de 2 meses de idade, foi trazido à unidade de pronto atendimento por ter ficado “roxo” após episódio de crise de tosse, seguida de vômito com eliminação de muco. Mãe refere que a criança estava doente há cerca de 5 dias com coriza leve, ficou ligeiramente febril (37,5°C) e há 1 dia iniciou tosse, estava tratando em casa com solução fisiológica nasal. A criança nasceu a termo de parto normal, pré-natal completo e sem intercorrências; é aleitada exclusivamente ao seio. Realizou no 1º mês de vida as vacinas BCG e a 1ª dose da vacina contra hepatite B, aguardava a melhora do resfriado para receber as vacinas previstas no segundo mês de vida. Existem outras pessoas em casa que estão com tosse. Ao exame: criança em bom estado geral, ativa e reativa ao manuseio, acianótica, anictérica, afebril, hidratada, fontanela anterior normotensa. FR 35 inc/minuto, sem tiragem, sem batimentos de asas nasais, sem estridor. AP: ausência de estertores pulmonares. AC: BCNF, RCR em 2T sem sopro. FC: 132bpm. A criança foi mantida na urgência em observação enquanto aguardava resultado de hemograma, neste período apresentou episódio semelhante ao que a mãe descreveu. O resultado do hemograma revelou: Hb 12,5g/dL, leucócitos de 50.000 sendo 78% linfócitos, plaquetas 250.000. Nesse caso, o diagnóstico e a conduta adequada são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) Bronquiolite viral; prescrever sintomáticos, tranquilizar a mãe, retorno para reavaliação com 24 horas ou imediato em caso de piora (orientar sinais de alarme).
  2. B) IVAS viral; prescrever sintomáticos, tranquilizar a mãe, retorno com reavaliação com 24 horas ou imediato em caso de piora (orientar sinais de alarme).
  3. C) Pneumonia aguda secundária à broncoaspiração; prescrever amoxicilina V O por 7 a 10 dias e ambroxol xarope, retorno com 48 horas para reavaliação ou imediato em caso de piora (orientar sinais de alarme).
  4. D) Síndrome coqueluchoide (provável Pertussis); hospitalizar, coletar swab de orofaringe com cultura para B. pertussis; isolamento respiratório por 5 dias, eritromicina VO, sintomáticos, notificar, tratar/controle dos contactantes. 
  5. E) Coqueluche; tranquilizar a mãe, acompanhamento ambulatorial com prescrição de eritromicina VO, prescrever na urgência nebulização com adrenalina, notificar, tratar contactantes. 

Pérola Clínica

Lactente < 6 meses com tosse paroxística + cianose/apneia + linfocitose = suspeitar de Pertussis.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse paroxística com cianose e vômitos pós-tosse em lactente não totalmente vacinado, associado a linfocitose importante no hemograma, é altamente sugestivo de coqueluche (Pertussis). A hospitalização e o tratamento com macrolídeos são cruciais, especialmente em menores de 6 meses.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente grave, especialmente em lactentes não vacinados ou com esquema vacinal incompleto. A apresentação clínica em bebês pode ser atípica, com predominância de apneia e cianose após os paroxismos de tosse, o que a torna um desafio diagnóstico. O diagnóstico de coqueluche é clínico e epidemiológico, mas pode ser confirmado por cultura de secreção de nasofaringe ou PCR. O hemograma, com a presença de linfocitose acentuada, é um forte indicativo. A conduta em lactentes menores de 6 meses com suspeita de coqueluche é a hospitalização para monitoramento e suporte, devido ao alto risco de complicações como pneumonia, convulsões e óbito. O tratamento com antibióticos macrolídeos (eritromicina, azitromicina) é eficaz para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, sendo mais eficaz se iniciado precocemente na fase catarral. Além do tratamento do paciente, é fundamental notificar o caso, realizar isolamento respiratório e fazer a quimioprofilaxia dos contactantes próximos para conter a disseminação da doença. A vacinação (DTP) é a principal medida preventiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para coqueluche em lactentes?

Em lactentes, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística intensa, cianose, apneia, e vômitos pós-tosse. Diferente de crianças maiores, o 'guincho' inspiratório pode estar ausente. A linfocitose no hemograma é um achado laboratorial importante.

Qual o tratamento de escolha para coqueluche em lactentes?

O tratamento de escolha para coqueluche é um macrolídeo, como a eritromicina, azitromicina ou claritromicina. Em lactentes menores de 6 meses, a hospitalização é geralmente indicada devido ao risco de complicações graves.

Por que a linfocitose é um achado importante na coqueluche?

A linfocitose, ou seja, o aumento do número de linfócitos no sangue, é um achado característico da coqueluche, especialmente na fase paroxística, e pode ajudar a diferenciar a infecção por Bordetella pertussis de outras causas de síndrome coqueluchoide.

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