UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Mulher de 35 anos referindo dor em andar, inferior do abdome, acíclica, com duração de aproximadamente 8 meses. A dor é intensa a ponto de impossibilitar atividades diárias e comumente associada a dispareunia de profundidade e dor após coito, levando a importante prejuízo da vida sexual. Além disto há exacerbação da dor após longa permanência em posição ortostática. Nega febre ou outros sintomas. Ao exame físico ginecológico: útero está discretamente aumentado de volume e pouco amolecido, sendo indolor a mobilização, muco cervical cristalino e conteúdo vaginal fisiológico. Com base no quadro clínico, dentre as opções abaixo, a principal hipótese diagnóstica e exame complementar que podem auxiliar no diagnóstico são:
Dor pélvica crônica acíclica + dispareunia + dor ortostática → suspeitar de varizes pélvicas. USG endovaginal com Doppler é o exame chave.
A síndrome de congestão pélvica, causada por varizes pélvicas, manifesta-se com dor pélvica crônica, acíclica, piora com ortostatismo e dispareunia de profundidade. A ultrassonografia endovaginal com Doppler é o exame de escolha para visualizar o fluxo e a dilatação venosa, confirmando a hipótese diagnóstica.
A dor pélvica crônica (DPC) é uma condição comum que afeta mulheres, definida como dor na região pélvica com duração de pelo menos seis meses, não cíclica e que causa incapacidade funcional. Entre as diversas causas, a síndrome de congestão pélvica (SCP), decorrente de varizes pélvicas, é uma etiologia frequentemente subdiagnosticada. A SCP é caracterizada pela dilatação e incompetência das veias ovarianas e pélvicas, levando ao acúmulo de sangue e consequente dor. A fisiopatologia envolve o refluxo sanguíneo nas veias pélvicas, que pode ser primário (por incompetência valvular) ou secundário (por compressão venosa, como a síndrome de May-Thurner ou Nutcracker). Os sintomas típicos incluem dor pélvica acíclica, que se agrava com a posição ortostática prolongada, durante ou após o coito (dispareunia de profundidade) e no período pré-menstrual. O exame físico pode ser normal ou revelar útero discretamente aumentado e amolecido, mas sem sinais inflamatórios agudos. O diagnóstico da SCP é primariamente clínico, mas a confirmação requer exames de imagem. A ultrassonografia endovaginal com Doppler é o método de escolha inicial, capaz de identificar veias pélvicas dilatadas (> 5 mm) e fluxo retrógrado. Outros exames como a venografia pélvica (padrão ouro para confirmação e planejamento terapêutico), tomografia computadorizada e ressonância magnética também podem ser utilizados para avaliar a extensão das varizes e identificar causas secundárias. O tratamento pode variar desde medidas conservadoras até embolização das veias pélvicas ou cirurgia.
Os sintomas incluem dor pélvica crônica, acíclica, que piora com a posição ortostática prolongada, dispareunia de profundidade e dor após o coito, além de dismenorreia e disúria em alguns casos.
A ultrassonografia endovaginal com Doppler é o exame de primeira linha, permitindo visualizar as veias dilatadas e avaliar o fluxo sanguíneo, especialmente com manobras de Valsalva.
Embora ambas causem dor pélvica, a dor por varizes pélvicas é tipicamente acíclica e piora com ortostatismo, enquanto a endometriose está mais associada à dismenorreia intensa e dor cíclica, com achados de nódulos ou implantes ao exame ou imagem.
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