Síndrome da Congestão Pélvica: Diagnóstico e Manejo

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 36 anos, com cinco partos normais anteriores, queixa-se de dor pélvica tipo peso intermitente e de intensidade variável há cerca de 1 ano. A dor piora após a relação sexual e após longos períodos em pé. Paciente nega: febre, corrimento, disúria, polaciúria, alterações do trânsito intestinal, dismenorreia, alterações no ciclo menstrual ou outras queixas. Realizou laqueadura tubária após a última gestação. Exame físico: abdome plano, indolor, normotenso, sem massas; toque vaginal e exame especular não revelam alterações. Considerando o quadro clínico, a principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) doença inflamatória pélvica.
  2. B)  síndrome da congestão pélvica.
  3. C)  prenhez ectópica.
  4. D)  cistite intersticial.
  5. E)  síndrome do intestino irritável.

Pérola Clínica

Dor pélvica tipo peso, piora pós-coito/ortostase, em multíparas com exame normal = Síndrome Congestão Pélvica.

Resumo-Chave

A Síndrome da Congestão Pélvica é uma causa comum de dor pélvica crônica em mulheres multíparas, caracterizada por dor tipo peso que piora com a ortostase e após o coito. A ausência de outros sintomas e um exame físico normal são pistas importantes para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Síndrome da Congestão Pélvica (SCP) é uma causa comum, mas frequentemente subdiagnosticada, de dor pélvica crônica em mulheres, especialmente multíparas. Caracteriza-se pela presença de varizes pélvicas e insuficiência venosa nas veias ovarianas e/ou pélvicas, resultando em estase sanguínea e dor. A dor é tipicamente descrita como um peso ou latejamento, intermitente ou constante, que piora com a posição ortostática prolongada, após o coito (dispareunia profunda) e no final do dia. A fisiopatologia da SCP está ligada à incompetência das válvulas venosas nas veias pélvicas, permitindo o refluxo sanguíneo e a dilatação venosa. A multiparidade é um fator de risco significativo, pois as gestações podem levar à dilatação e danos às paredes venosas. O diagnóstico é desafiador, pois o exame físico ginecológico pode ser normal, e os sintomas podem ser confundidos com outras causas de dor pélvica. A ausência de febre, corrimento, dismenorreia ou alterações menstruais ajuda a excluir outras condições. O diagnóstico é sugerido pela história clínica e confirmado por exames de imagem que demonstrem as varizes pélvicas, como ultrassonografia Doppler transvaginal, tomografia computadorizada, ressonância magnética ou venografia pélvica, que é o padrão-ouro. O tratamento pode variar desde o manejo conservador com analgésicos e progestágenos até procedimentos intervencionistas como a embolização das veias ovarianas, que tem altas taxas de sucesso na redução da dor.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas característicos da Síndrome da Congestão Pélvica?

Os sintomas incluem dor pélvica crônica, tipo peso ou latejante, que piora com a posição ortostática prolongada, após a relação sexual (dispareunia profunda) e durante o período menstrual. Pode haver também dor nas pernas e varizes em regiões atípicas.

Qual a fisiopatologia da Síndrome da Congestão Pélvica?

A síndrome é causada por insuficiência das veias ovarianas e/ou pélvicas, levando à dilatação e estase venosa. A multiparidade é um fator de risco, pois as gestações podem causar dilatação e incompetência valvular dessas veias, resultando em congestão e dor.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome da Congestão Pélvica?

O diagnóstico é baseado na história clínica e pode ser confirmado por exames de imagem que demonstrem varizes pélvicas, como ultrassonografia Doppler transvaginal, tomografia computadorizada, ressonância magnética ou venografia pélvica, que é o padrão-ouro.

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