UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2025
Mulher de 34 anos vem ao ambulatório de ginecologia queixando-se de dor em região pélvica há 2 anos. Refere que a dor vem se intensificando e que nota piora durante o trabalho. Trabalha como secretária em um consultório. Associado ao quadro apresenta dispareunia de profundidade. Nega dismenorreia, sintomas urinários ou gastrintestinais. Já teve duas gestações, com dois partos normais anteriores. Nega doenças ou cirurgias prévias. Ao exame físico, não apresenta alterações significativas, além de dor leve à palpação de hipogástrio. Realizou ressonância magnética de pelve que não demonstrou alterações. Diante do exposto, qual é a sua principal hipótese diagnóstica e qual o melhor exame para investigação?
Dor pélvica crônica + dispareunia profunda + piora postural/trabalho + multípara + RM normal → Síndrome Congestão Pélvica → Venografia.
O quadro de dor pélvica crônica, dispareunia de profundidade, piora da dor com a posição ortostática ou após longos períodos em pé (trabalho de secretária) em uma mulher multípara, com exame físico e RM normais, é altamente sugestivo de Síndrome da Congestão Pélvica. A venografia é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, visualizando as varizes pélvicas.
A Síndrome da Congestão Pélvica (SCP) é uma causa comum e subdiagnosticada de dor pélvica crônica em mulheres, caracterizada pela presença de varizes pélvicas e refluxo venoso. É crucial para residentes reconhecerem o perfil clínico, especialmente em mulheres multíparas, que apresentam dor pélvica crônica com piora na posição ortostática ou após longos períodos em pé, além de dispareunia de profundidade. A ausência de achados em exames de imagem rotineiros como ultrassonografia e ressonância magnética não exclui o diagnóstico. A fisiopatologia envolve a incompetência das válvulas das veias pélvicas, levando ao refluxo sanguíneo e à dilatação venosa, resultando em congestão e dor. A dor é frequentemente descrita como uma sensação de peso ou pressão, que pode irradiar para as coxas e região lombar. A dispareunia de profundidade é um sintoma chave, diferenciando-a de outras causas de dor pélvica. O diagnóstico definitivo é feito pela venografia pélvica, que é o padrão-ouro para visualizar as varizes e o refluxo. Outros exames como ultrassonografia transvaginal com Doppler ou ressonância magnética com contraste podem sugerir o diagnóstico, mas a venografia oferece a melhor acurácia. O tratamento pode variar desde medidas conservadoras (analgésicos, meias de compressão) até intervenções como embolização das veias pélvicas, que é um procedimento minimamente invasivo e altamente eficaz para aliviar os sintomas.
Os sintomas incluem dor pélvica crônica que piora com a posição ortostática, após longos períodos em pé, durante ou após o coito (dispareunia de profundidade), e que pode ser cíclica ou contínua, com sensação de peso na pelve.
A venografia pélvica é considerada o padrão-ouro porque permite a visualização direta das varizes pélvicas dilatadas e incompetentes, que são a causa da síndrome, e pode ser combinada com tratamento endovascular para alívio dos sintomas.
Multiparidade, histórico de gestações, uso de estrogênios, e predisposição genética para varizes são fatores de risco importantes, pois a dilatação venosa pélvica é exacerbada por esses fatores, levando à congestão e dor.
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