Síndrome Congênita do Zika: Diagnóstico e Achados de Imagem

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma gestante de 26 anos, primigesta, com 24 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal para apresentar o resultado de uma ultrassonografia morfológica de segundo trimestre. Durante a anamnese, a paciente recorda-se de ter apresentado um quadro febril autolimitado, acompanhado de exantema maculopapular não pruriginoso e artralgia leve, por volta da 10ª semana de gestação, enquanto visitava familiares em uma região com alta densidade do mosquito Aedes aegypti. O laudo ultrassonográfico atual descreve uma circunferência cefálica fetal abaixo do percentil 3 para a idade gestacional (desvio padrão de -2,8), presença de calcificações intracranianas grosseiras localizadas preferencialmente na transição entre o córtex e a substância branca, ventriculomegalia grave com adelgaçamento cortical e hipoplasia do tronco cerebral. Adicionalmente, nota-se a presença de pele redundante no couro cabeludo fetal e sinais sugestivos de artrogripose em membros inferiores. As sorologias maternas colhidas logo após o quadro exantemático foram negativas para Toxoplasmose e Citomegalovírus (IgM negativo e IgG positivo para ambos, sugerindo imunidade prévia) e negativas para Rubéola (IgM e IgG negativos). Diante do quadro clínico e dos achados ultrassonográficos descritos, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta recomendada.

Alternativas

  1. A) Infecção Congênita por Citomegalovírus; indicação de amniocentese imediata para pesquisa de PCR no líquido amniótico e início de Valaciclovir materno para redução da carga viral.
  2. B) Síndrome Congênita do Zika; acompanhamento com ultrassonografias seriadas a cada 2 a 4 semanas e aconselhamento multidisciplinar sobre o prognóstico neuropsicomotor.
  3. C) Microcefalia Genética Autossômica Recessiva; solicitação de estudo genético fetal por meio de microarray ou sequenciamento de exoma para confirmação diagnóstica.
  4. D) Toxoplasmose Congênita Aguda; início imediato do esquema tríplice com Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico para prevenir a progressão das lesões cerebrais.

Pérola Clínica

Calcificações corticais + pele redundante + microcefalia → Síndrome Congênita do Zika.

Resumo-Chave

A infecção pelo vírus Zika no primeiro trimestre causa danos neurológicos graves, caracterizados por calcificações na transição cortico-subcortical e sinais de desproporção craniofacial.

Contexto Educacional

A Síndrome Congênita do Zika (SCZ) é uma condição neurotrópica grave causada pela transmissão vertical do vírus Zika, especialmente quando a infecção materna ocorre no primeiro trimestre da gestação. O vírus ataca as células progenitoras neurais, levando a uma destruição maciça do parênquima cerebral em desenvolvimento. Os achados clássicos incluem microcefalia grave, calcificações subcorticais, ventriculomegalia ex-vacuo e hipoplasia de estruturas da fossa posterior. Além das alterações do sistema nervoso central, a SCZ pode se manifestar com artrogripose (contraturas articulares congênitas) devido ao comprometimento dos neurônios motores superiores e inferiores durante a vida intrauterina. O diagnóstico diferencial com o grupo TORCH é essencial, mas o padrão de imagem e a história epidemiológica de exantema maculopapular na gestação direcionam fortemente para o Zika.

Perguntas Frequentes

Qual o padrão das calcificações cerebrais na Síndrome Congênita do Zika?

Diferente de outras infecções congênitas como a toxoplasmose (difusas) ou CMV (periventriculares), as calcificações na Síndrome Congênita do Zika localizam-se preferencialmente na junção entre o córtex e a substância branca subcortical. Elas são frequentemente descritas como grosseiras e estão associadas a um grave distúrbio de migração neuronal e adelgaçamento cortical.

Por que ocorre a pele redundante no couro cabeludo?

A pele redundante no couro cabeludo é um sinal clínico de que houve uma interrupção abrupta do crescimento cerebral (sequência de interrupção cerebral fetal). Como o crânio para de expandir devido à destruição do parênquima cerebral pelo vírus, a pele que já havia se desenvolvido para um volume maior acaba sobrando, gerando dobras e rugosidades características.

Qual a conduta recomendada após o diagnóstico ultrassonográfico de Zika?

Uma vez identificadas as malformações sugestivas, a conduta baseia-se no acompanhamento ultrassonográfico seriado (geralmente a cada 2-4 semanas) para monitorar o crescimento fetal e o volume de líquido amniótico. É fundamental o acolhimento e aconselhamento multidisciplinar da família, envolvendo obstetras, geneticistas e neuropediatras, visto que o prognóstico neuropsicomotor é reservado.

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