UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 70 anos com diagnóstico de adenocarcinoma de próstata metastático para ossos há 20 meses chega ao PS com quadro de dor lombar intensa há 7 dias, parestesias de membros inferiores há 2 dias e diminuição de força muscular em membros inferiores há cerca de 12 horas. EF: lúcido, orientado, afebril, com diminuição severa de força muscular em membros inferiores, hiperreflexia e sinal de Babinski positivo. Nesse caso, a hipótese diagnóstica e conduta inicial são:
Paciente oncológico + Dor lombar + Déficit neurológico = Compressão Medular → RM de coluna total urgente.
A compressão medular é uma emergência médica. O diagnóstico definitivo deve ser buscado rapidamente com RM, pois o prognóstico funcional depende do tempo para o início do tratamento definitivo.
A Síndrome de Compressão Medular Neoplásica (SCMN) ocorre em cerca de 5% a 10% dos pacientes com câncer sistêmico, sendo mais comum em tumores de próstata, mama e pulmão devido à alta frequência de metástases ósseas nesses sítios. A fisiopatologia geralmente envolve o crescimento de uma metástase no corpo vertebral que se expande para o espaço epidural. O manejo é multidisciplinar, envolvendo oncologistas, radioterapeutas e neurocirurgiões. O estudo 'Patchell' demonstrou que, para pacientes com compressão por tumor sólido e expectativa de vida razoável, a descompressão cirúrgica seguida de radioterapia é superior à radioterapia isolada na preservação da marcha. No entanto, a rapidez no diagnóstico por RM é o divisor de águas para o sucesso terapêutico.
A Ressonância Magnética (RM) é o padrão-ouro para o diagnóstico de compressão medular neoplásica. Ela permite visualizar não apenas a massa tumoral e o nível exato da compressão, mas também a extensão do edema medular e a presença de outras metástases vertebrais assintomáticas. Em casos de suspeita clínica, deve-se solicitar a RM de toda a coluna (cervical, torácica e lombo-sacra), pois cerca de 10% a 30% dos pacientes apresentam múltiplos níveis de compressão ou metástases em locais distantes da dor referida. A agilidade na realização do exame é crucial, pois o status neurológico no momento do diagnóstico é o principal preditor de deambulação futura.
A dexametasona é administrada imediatamente após a suspeita clínica ou confirmação radiológica para reduzir o edema vasogênico peritumoral na medula espinhal. Isso ajuda a aliviar a dor e pode prevenir a progressão do déficit neurológico enquanto se aguarda o tratamento definitivo (cirurgia ou radioterapia). As doses variam na literatura, mas frequentemente utiliza-se um ataque de 10-16 mg seguido de doses de manutenção. Embora o gabarito da questão tenha focado na RM como conduta diagnóstica essencial, na prática clínica, a corticoterapia costuma ser iniciada simultaneamente à organização dos exames de imagem.
O sintoma inicial em 90% dos casos é a dor nas costas (lombar ou torácica), que geralmente precede os sintomas neurológicos em semanas. A dor costuma ser pior ao deitar e pode ter caráter radicular. Os sinais de alerta ('red flags') incluem fraqueza muscular progressiva nos membros inferiores, alterações de sensibilidade (parestesias com nível sensitivo), disfunção autonômica (retenção urinária ou incontinência fecal) e sinais de liberação piramidal, como hiperreflexia e sinal de Babinski positivo. A presença desses sinais indica que a compressão já está afetando a integridade da medula e exige intervenção imediata.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo