CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Assinale a alternativa que contenha uma possível causa de síndrome de compartimento orbitário:
Hemorragia retrosseptal pós-blefaroplastia → ↑ Pressão orbitária → Síndrome de compartimento orbitário.
A síndrome de compartimento orbitário é uma emergência cirúrgica onde o aumento da pressão intraorbitária compromete a perfusão do nervo óptico, exigindo descompressão imediata.
A órbita é um compartimento fixo limitado por paredes ósseas e anteriormente pelo septo orbitário e pálpebras. Qualquer processo que aumente o volume interno (sangue, edema, ar) pode causar a síndrome de compartimento. A hemorragia retrosseptal é a etiologia mais temida em cirurgias oculoplásticas. O diagnóstico é clínico e a intervenção deve ser realizada antes mesmo da avaliação oftalmológica especializada se o médico assistente identificar os sinais de alerta, visando a preservação da visão.
A causa mais comum no pós-operatório de cirurgias palpebrais ou orbitárias, como a blefaroplastia, é o sangramento ativo retrosseptal. O acúmulo de sangue em um espaço ósseo fechado e inelástico eleva rapidamente a pressão intraorbitária, superando a pressão de perfusão capilar do nervo óptico e da artéria central da retina, o que pode levar à cegueira irreversível em poucos minutos ou horas se não houver intervenção.
Os sinais cardinais incluem proptose acentuada (olho 'tenso' à palpação), dor intensa, diminuição da acuidade visual, defeito pupilar aferente relativo (pupila de Marcus Gunn), restrição da motilidade ocular extrínseca e aumento significativo da pressão intraocular. A presença de equimose e edema bipalpebral tenso em pacientes submetidos a procedimentos recentes deve sempre levantar a suspeita diagnóstica imediata.
O tratamento definitivo e imediato à beira do leito é a cantotomia lateral seguida de cantólise inferior (e às vezes superior). Este procedimento visa liberar o ligamento palpebral lateral, permitindo que o conteúdo orbitário se desloque anteriormente, reduzindo instantaneamente a pressão intraorbitária. Não se deve aguardar exames de imagem (como TC) se a suspeita clínica for alta e houver risco iminente de perda visual.
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