UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente de 33 anos de idade, do sexo masculino, foi vítima de queimaduras de segundo e terceiro graus em 60% da superfície corporal. Na admissão, necessitou de reposição volêmica com volume de 10 litros de cristaloide nas primeiras 24 horas. No 3º dia de evolução, apresentou distensão abdominal volumosa e progressiva, piora do desconforto respiratório com hipoxemia e hipercapnia, hipotensão arterial, taquicardia e oliguria/anuria. Foi feita tomografia computadorizada de abdome, a qual evidenciou grande edema intersticial com ascite, sem evidências de pneumoperitônio ou sepse abdominal. Com base no quadro descrito, qual dos seguintes métodos de monitorização é determinante para diagnóstico e tomada de decisões?
Paciente grave com distensão abdominal, disfunção orgânica e reposição volêmica maciça → Suspeitar de SCA; aferir pressão intravesical para diagnóstico.
A Síndrome de Compartimento Abdominal (SCA) é uma condição grave caracterizada por hipertensão intra-abdominal sustentada (>20 mmHg) associada a nova disfunção orgânica. É comum em pacientes com queimaduras extensas e reposição volêmica maciça, sendo a aferição da pressão intravesical o método padrão-ouro para seu diagnóstico.
A Síndrome de Compartimento Abdominal (SCA) é uma complicação grave e potencialmente fatal, caracterizada por hipertensão intra-abdominal (HIA) sustentada que leva à disfunção de múltiplos órgãos. É frequentemente observada em pacientes críticos, especialmente aqueles com queimaduras extensas que necessitam de reposição volêmica maciça, como no caso descrito. A epidemiologia mostra que a SCA é uma causa significativa de morbimortalidade em unidades de terapia intensiva. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão dentro da cavidade abdominal, que compromete a perfusão de órgãos abdominais e tem efeitos sistêmicos. A pressão elevada no abdome dificulta o retorno venoso, diminui o débito cardíaco, eleva a pressão intratorácica e diafragmática, prejudicando a ventilação e a oxigenação. A compressão renal leva à oligúria. O diagnóstico é feito pela aferição da pressão intra-abdominal, sendo a pressão intravesical o método mais prático e confiável, com valores > 20 mmHg associados à disfunção orgânica indicando SCA. A conduta na SCA é emergencial e visa reduzir a pressão intra-abdominal. Isso pode incluir medidas não invasivas como otimização da sedação, relaxamento muscular, descompressão gástrica/intestinal e diuréticos. No entanto, em casos refratários ou graves, a laparotomia descompressiva é a intervenção definitiva para aliviar a pressão e restaurar a função orgânica, melhorando o prognóstico.
Os sinais incluem distensão abdominal progressiva, piora do desconforto respiratório (hipoxemia, hipercapnia), hipotensão, taquicardia, oligúria/anúria e aumento da pressão de pico nas vias aéreas, refletindo a disfunção de múltiplos órgãos.
A pressão intravesical é um método minimamente invasivo e acurado para estimar a pressão intra-abdominal, correlacionando-se bem com a pressão intragástrica e sendo o padrão-ouro para o diagnóstico de hipertensão intra-abdominal e SCA.
Pacientes com queimaduras extensas necessitam de grandes volumes de fluidos para reposição, o que, combinado com o edema tecidual generalizado, pode levar a um aumento significativo da pressão intra-abdominal e ao desenvolvimento da SCA.
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