Síndrome Compartimental em Queimaduras: Fisiopatologia

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Em relação às lesões térmicas, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O débito urinário deve ser de 0,5 ml/kg/h, independentemente da natureza da queimadura e idade do paciente.
  2. B) Para o cálculo de área queimada irregular, utilizar a palma da mão do doente, excluindo‑se os dedos, que representará 1% da área corpórea queimada.
  3. C) Logo após as queimaduras de segundo grau, quando a área de superfície corporal for maior que 10%, as bolhas devem ser rompidas e devem ser aplicadas compressas frias.
  4. D) Nas queimaduras químicas provocadas por ácidos, agentes neutralizantes devem ser utilizados antes da irrigação com água.
  5. E) A síndrome compartimental resulta da combinação da diminuição da elasticidade da pele com o aumento do edema dos tecidos moles.

Pérola Clínica

Síndrome compartimental em queimaduras → ↓ elasticidade da pele + ↑ edema tecidual.

Resumo-Chave

A síndrome compartimental em queimaduras ocorre devido à rigidez da pele queimada (escaras) que não se expande, combinada com o edema progressivo dos tecidos moles subjacentes. Isso aumenta a pressão dentro de um compartimento fascial, comprometendo a perfusão e levando à isquemia.

Contexto Educacional

As lesões térmicas, ou queimaduras, são traumas complexos que podem levar a uma série de complicações sistêmicas e locais. A síndrome compartimental é uma das complicações mais graves, especialmente em queimaduras de espessura total (terceiro grau) ou profundas de segundo grau que afetam a circunferência de um membro ou tronco. Ela resulta da combinação de dois fatores principais: a diminuição da elasticidade da pele queimada, que forma uma escara rígida e inelástica, e o aumento do edema dos tecidos moles subjacentes devido à resposta inflamatória sistêmica e local. O edema progressivo, confinado pela escara rígida, eleva a pressão dentro dos compartimentos fasciais. Essa pressão aumentada compromete a perfusão sanguínea para os músculos e nervos dentro do compartimento, levando à isquemia e, se não tratada, à necrose tecidual irreversível. Os sinais e sintomas incluem dor intensa, parestesia, palidez, diminuição ou ausência de pulsos e paralisia. O reconhecimento precoce e a intervenção são cruciais. A escarotomia, que consiste em incisões longitudinais na escara para aliviar a pressão, é o tratamento de escolha. Em alguns casos, pode ser necessária a fasciotomia. O manejo adequado das queimaduras, incluindo a reposição volêmica criteriosa, é fundamental para minimizar o edema e prevenir essa complicação devastadora.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de síndrome compartimental em queimaduras?

Os sinais incluem dor intensa desproporcional à lesão, parestesia, palidez, diminuição ou ausência de pulsos distais e paralisia. A dor é o sintoma mais precoce e confiável.

Qual a conduta inicial para síndrome compartimental em queimaduras?

A conduta inicial é a escarotomia, um procedimento cirúrgico que consiste em incisões longitudinais na escara para aliviar a pressão. Em casos mais graves, pode ser necessária a fasciotomia.

Como o edema contribui para a síndrome compartimental em queimados?

O edema é uma resposta inflamatória sistêmica à queimadura, causando extravasamento de fluidos para o espaço intersticial. Em queimaduras circunferências profundas, a escara rígida impede a expansão do tecido edemaciado, elevando a pressão dentro do compartimento.

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