Queimadura Circunferencial: Manejo da Síndrome Compartimental

CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente apresenta queimadura extensa em membro superior direito após acidente doméstico. Apresenta membro superior direito pálido, muito edemaciado e com diminuição importante de pulso radial. Deverá ser realizado:

Alternativas

  1. A) Escarotomia com fasciotomia
  2. B) Embolectomia com cateter de balão
  3. C) Colocação de stent via endovascular
  4. D) Antibioticoterapia venosa de amplo espectro

Pérola Clínica

Queimadura circunferencial + membro pálido/edemaciado + pulso ↓ → Escarotomia/Fasciotomia urgente.

Resumo-Chave

Queimaduras extensas e circunferenciais podem levar à formação de uma escara rígida que impede a expansão do tecido edemaciado subjacente, resultando em síndrome compartimental. A palidez, edema e diminuição do pulso radial são sinais de comprometimento vascular e isquemia, indicando a necessidade de escarotomia e, se necessário, fasciotomia para aliviar a pressão e restaurar a perfusão.

Contexto Educacional

Queimaduras extensas e circunferenciais representam um desafio clínico significativo, especialmente quando afetam os membros. A pele queimada de espessura total (terceiro grau) forma uma escara rígida e inelástica que, ao redor de um membro, pode atuar como um torniquete. Com o edema progressivo dos tecidos subjacentes, a pressão dentro dos compartimentos musculares aumenta, levando à síndrome compartimental. Esta condição é uma emergência cirúrgica que, se não tratada prontamente, pode resultar em isquemia, necrose tecidual, perda funcional e até amputação do membro. Os sinais de alerta para a síndrome compartimental em um membro queimado incluem dor intensa e progressiva, palidez ou cianose distal, diminuição ou ausência de pulsos periféricos (avaliados clinicamente ou por Doppler), parestesias e diminuição da sensibilidade. A monitorização contínua da perfusão, como o uso de Doppler para avaliar os pulsos, é crucial. A intervenção é necessária quando há evidência de comprometimento vascular ou neurológico, ou quando a pressão compartimental medida é elevada. A escarotomia é o procedimento de escolha inicial, consistindo em incisões longitudinais através da escara rígida para aliviar a constrição. Essas incisões devem ser feitas em toda a extensão da queimadura circunferencial, geralmente nas faces medial e lateral do membro, evitando estruturas neurovasculares importantes. Se a escarotomia não for suficiente para restaurar a perfusão e aliviar a pressão, uma fasciotomia pode ser necessária, que envolve incisões mais profundas através da fáscia muscular para descomprimir os compartimentos musculares. A decisão entre escarotomia e fasciotomia depende da profundidade da compressão e da resposta clínica, sendo a fasciotomia reservada para casos mais graves de edema muscular intracompartimental.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de síndrome compartimental em um membro queimado?

Os sinais incluem dor intensa desproporcional à queimadura, palidez do membro, diminuição ou ausência de pulsos distais, parestesias, e edema progressivo. O membro pode estar frio ao toque e ter enchimento capilar lento.

Quando a escarotomia é indicada em pacientes queimados?

A escarotomia é indicada em queimaduras de espessura total (terceiro grau) ou profundas de segundo grau que são circunferenciais em membros ou tronco, e que apresentam sinais de comprometimento vascular ou respiratório devido à constrição da escara.

Qual a diferença entre escarotomia e fasciotomia?

A escarotomia é uma incisão através da escara da queimadura para aliviar a pressão externa. A fasciotomia é uma incisão mais profunda, através da fáscia muscular, indicada quando a escarotomia não é suficiente para aliviar a pressão dentro dos compartimentos musculares, geralmente em casos de edema muscular grave.

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