Síndrome Compartimental Pós-Queimadura Elétrica: Diagnóstico e Manejo

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 40 anos, trabalhador de companhia elétrica, dá entrada em atendimento de emergência vítima de queimadura elétrica de alta voltagem. A entrada da corrente elétrica foi na mão direita e saída na panturrilha esquerda, onde há uma área de cerca de 4 cm cúbicos de queimadura de terceiro grau. Apresenta dor na perna, porém com pulso pedioso normal, boa perfusão, preservação motora e de sensibilidade. Paciente recebe alta, porém retorna 8 horas depois com dor importante na perna, pé pálido, frio e pulso pedioso ausente. O diagnóstico e conduta nesse momento são:

Alternativas

  1. A) Embolia arterial e arteriografia.
  2. B) Trombose venosa profunda e heparinização.
  3. C) Compressão pela escara e escarotomia.
  4. D) Síndrome compartimental e fasciotomia.

Pérola Clínica

Queimadura elétrica + dor intensa + sinais isquemia tardios = síndrome compartimental → fasciotomia.

Resumo-Chave

Queimaduras elétricas de alta voltagem podem causar lesões profundas e extensas, mesmo com pouca lesão cutânea aparente. A síndrome compartimental é uma complicação grave e tardia, manifestando-se com dor desproporcional, palidez, parestesia e ausência de pulsos, exigindo fasciotomia de emergência para evitar necrose.

Contexto Educacional

Queimaduras elétricas de alta voltagem são lesões complexas que frequentemente resultam em danos internos significativos, desproporcionais à lesão cutânea visível. A corrente elétrica pode causar necrose muscular, vascular e nervosa profunda, levando a complicações graves como a síndrome compartimental. É fundamental que residentes compreendam a fisiopatologia e o manejo dessas lesões para prevenir sequelas permanentes. A síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica que ocorre quando a pressão dentro de um compartimento muscular fechado aumenta a ponto de comprometer a perfusão tecidual. Em queimaduras elétricas, isso pode ser devido ao edema muscular extenso e à rabdomiólise. Os "5 Ps" (Pain, Pallor, Paresthesia, Paralysis, Pulselessness) são sinais clássicos, mas a dor desproporcional é o mais precoce e confiável. A monitorização contínua e a alta suspeição são cruciais, pois os sintomas podem ser tardios. A conduta imediata para a síndrome compartimental estabelecida é a fasciotomia de emergência. Este procedimento cirúrgico envolve a incisão das fáscias musculares para aliviar a pressão e restaurar o fluxo sanguíneo. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar à necrose muscular, insuficiência renal aguda por rabdomiólise, amputação e até óbito. Além disso, o manejo de queimaduras elétricas inclui hidratação vigorosa para prevenir insuficiência renal e monitorização cardíaca.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para síndrome compartimental em pacientes com queimadura elétrica?

Os sinais incluem dor desproporcional à lesão aparente, parestesia, palidez, diminuição da sensibilidade, fraqueza motora e, em estágios avançados, ausência de pulsos distais e paralisia.

Por que a fasciotomia é a conduta indicada na síndrome compartimental?

A fasciotomia é realizada para aliviar a pressão dentro do compartimento muscular, restaurando o fluxo sanguíneo para os tecidos isquêmicos e prevenindo danos irreversíveis aos nervos e músculos, como necrose e rabdomiólise.

Qual a fisiopatologia da síndrome compartimental após queimadura elétrica?

A corrente elétrica causa lesão térmica e necrose muscular profunda, levando a edema e inflamação. O inchaço dentro de um compartimento fascial inextensível aumenta a pressão, comprometendo a perfusão sanguínea e causando isquemia.

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