PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
De acordo com o ATLS, assinale a alternativa CORRETA referente ao trauma músculo esquelético.
Síndrome Compartimental = Diagnóstico CLÍNICO (dor desproporcional); pulso distal costuma estar PRESENTE.
A síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica onde a pressão tecidual impede a perfusão capilar; o pulso periférico é um sinal tardio e sua presença não exclui o diagnóstico.
O manejo do trauma musculoesquelético segundo o ATLS prioriza a identificação de lesões que ameaçam a vida (como hemorragias por fraturas de pelve ou fêmur) e lesões que ameaçam o membro (como a síndrome compartimental). Uma fratura de diáfise de fêmur, por exemplo, pode levar à perda de até 1500ml de sangue no compartimento da coxa, contribuindo para o choque hipovolêmico. A síndrome compartimental exige um alto índice de suspeição, especialmente em traumas de tíbia, antebraço e lesões por esmagamento. A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso de edema, aumento de pressão, isquemia capilar e mais edema. A intervenção definitiva é a fasciotomia ampla de todos os compartimentos envolvidos. O atraso no diagnóstico leva a contraturas isquêmicas de Volkmann, perda de função neurológica e necessidade de amputação.
O sinal clínico mais precoce e sensível é a dor desproporcional à lesão física aparente, que não cede adequadamente com analgésicos opioides. Outro achado crucial é a dor ao estiramento passivo dos músculos do compartimento afetado. Parestesias no território dos nervos que atravessam o compartimento também podem surgir cedo. O compartimento pode apresentar-se tenso e endurecido à palpação. É vital lembrar que a paralisia e a ausência de pulso (ausência de sinais de perfusão macrovascular) são achados tardios que indicam dano irreversível iminente ou já estabelecido.
A Síndrome Compartimental é um fenômeno local onde o aumento da pressão dentro de um espaço osteofascial fechado compromete a microcirculação. Já a Síndrome de Crush (ou de esmagamento) é a manifestação sistêmica da lesão muscular traumática (rabdomiólise). Quando o músculo é esmagado, ocorre liberação de mioglobina, potássio e fósforo na circulação. A mioglobina causa toxicidade tubular direta e obstrução renal, levando à insuficiência renal aguda (e não hepática, como sugerido em erros comuns). O tratamento foca na hidratação vigorosa para prevenir a nefropatia por mioglobina.
Embora o diagnóstico seja primariamente clínico, a monitorização da pressão intracompartimental pode ser útil em pacientes inconscientes. Pressões superiores a 30 mmHg sugerem fortemente a necessidade de fasciotomia, pois a pressão de perfusão capilar começa a ser comprometida. O ATLS e a literatura ortopédica frequentemente utilizam a 'pressão delta' (Pressão Arterial Diastólica - Pressão do Compartimento); se esse valor for menor que 30 mmHg, a perfusão tecidual é considerada inadequada, indicando a necessidade de descompressão cirúrgica imediata.
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