USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Mulher de 28 anos foi admitida na sala de trauma após colisão moto com caçamba. Na avaliação inicial apresenta-se estável hemodinamicamente e mantendo Glasgow de 15. Relata dor intensa em perna esquerda associado a edema importante do membro com pulsos periféricos palpáveis. Realizada radiografia do membro acometido sem sinais de fratura. Com relação a síndrome compartimental em membro inferior, pode-se afirmar que:
Síndrome compartimental → Diagnóstico clínico (dor desproporcional) + Fasciotomia dos 4 compartimentos.
A síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica onde o aumento da pressão tecidual compromete a perfusão; a presença de pulsos não exclui o diagnóstico, pois a pressão arterial sistólica geralmente supera a pressão intracompartimental.
A síndrome compartimental aguda ocorre quando a pressão dentro de um espaço osteofascial fechado aumenta a ponto de comprometer a microcirculação capilar. Embora frequentemente associada a fraturas de ossos longos (como a tíbia), pode ocorrer em traumas contusos sem fratura, lesões por esmagamento ou após reperfusão isquêmica. O atraso no tratamento leva à necrose muscular, contratura de Volkmann e insuficiência renal por mioglobinúria. A técnica cirúrgica de escolha para a perna é a fasciotomia de dupla incisão. A incisão lateral é feita entre a crista da tíbia e a fíbula, permitindo a abertura dos compartimentos anterior e lateral. A incisão medial é feita cerca de 2 cm posterior à borda medial da tíbia, permitindo o acesso ao compartimento posterior superficial e, após o rebatimento da musculatura, ao compartimento posterior profundo.
Os quatro compartimentos da perna que devem ser obrigatoriamente liberados são: anterior, lateral, posterior superficial e posterior profundo. A técnica de dupla incisão é a mais utilizada, com uma incisão lateral para acessar os compartimentos anterior e lateral, e uma incisão medial para acessar os compartimentos posterior superficial e profundo.
A dor desproporcional à lesão física e que piora com o estiramento passivo da musculatura do compartimento afetado é o sinal clínico mais precoce e sensível. Ela indica isquemia muscular incipiente. Outros sinais como parestesia, palidez e paralisia são sinais tardios que frequentemente indicam dano tecidual irreversível.
A monitorização é útil em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, sedados ou com lesões duvidosas. Geralmente, uma pressão absoluta acima de 30 mmHg ou uma pressão diferencial (Δp = PA diastólica - P compartimental) menor que 30 mmHg indica a necessidade de fasciotomia imediata, embora o diagnóstico clínico soberano deva prevalecer.
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