USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Homem de 52 anos sofreu fratura da região distal do rádio que foi tratada com imobilização gessada há 12 horas. Retornou ao pronto socorro com forte dor no punho que não melhorava com analgesia. Ao exame físico apresentava edema dos dedos e dor forte ao movimentá-los. Perfusão dos dedos presente com enchimento capilar lentificado.Qual a melhor conduta?
Dor intensa pós-gesso + edema + enchimento capilar lentificado → Suspeita de síndrome compartimental → Retirada imediata do gesso.
A dor intensa e desproporcional à lesão, associada a sinais de comprometimento vascular (enchimento capilar lentificado) e edema após imobilização gessada, sugere síndrome compartimental. A conduta inicial é a retirada imediata do gesso para aliviar a pressão.
A síndrome compartimental aguda é uma emergência ortopédica grave, caracterizada pelo aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial fechado, comprometendo a perfusão tecidual e levando à isquemia muscular e nervosa. É uma complicação frequente de fraturas, especialmente as de rádio distal e tíbia, e pode ser exacerbada por imobilizações gessadas muito apertadas ou edema pós-traumático. O reconhecimento precoce é crucial para evitar sequelas permanentes. Os sinais e sintomas incluem dor intensa e desproporcional à lesão, que não melhora com analgesia, dor à extensão passiva dos dedos (no caso do punho), parestesia, edema e tensão no compartimento. Sinais como palidez, paralisia e ausência de pulso são tardios e indicam isquemia avançada. O enchimento capilar lentificado é um achado importante que sugere comprometimento vascular. A suspeita clínica é o pilar do diagnóstico. A conduta imediata em caso de suspeita é a remoção de qualquer material constritivo, como o gesso, para tentar aliviar a pressão. Se os sintomas persistirem ou houver piora, a fasciotomia cirúrgica de emergência é imperativa para descompressão dos compartimentos. Atrasos no tratamento podem resultar em necrose muscular, contraturas irreversíveis (ex: contratura de Volkmann) e perda funcional do membro.
Os sinais clássicos da síndrome compartimental incluem dor intensa e desproporcional à lesão, dor à extensão passiva dos dedos, parestesia, palidez, paralisia e ausência de pulso (os últimos são sinais tardios e graves). Edema e tensão no compartimento afetado também são comuns.
A conduta inicial e mais importante é a descompressão imediata do compartimento, que pode ser feita removendo qualquer imobilização externa restritiva (gesso, bandagens). Se a pressão não diminuir, a fasciotomia cirúrgica de emergência é indicada.
A síndrome compartimental é uma emergência porque o aumento da pressão dentro de um compartimento muscular fechado pode comprometer a perfusão sanguínea dos tecidos, levando à isquemia, necrose muscular e nervosa irreversível em poucas horas, resultando em sequelas permanentes como contratura de Volkmann.
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