UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2018
Sobre a síndrome compartimental, assinale a alternativa correta. A) Déficit motor e desaparecimento dos pulsos no membro envolvido são sinais precoces. B) O tratamento inicial consiste em enfaixar o membro comprometido. C) Resulta da liberação na circulação sanguínea de produtos nocivos oriundos de músculos lesados. D) Um dos sintomas mais precoces é presença de urina escura (mioglobinúria). E) Pode ocorrer em qualquer lugar onde o músculo esteja contido em um espaço fechado delimitado pela fáscia.
Dor desproporcional ao exame + dor ao estiramento passivo = Síndrome Compartimental.
A síndrome compartimental ocorre pelo aumento da pressão em espaços osteofasciais fechados, levando à isquemia. O diagnóstico é clínico e a intervenção deve ser imediata.
A síndrome compartimental aguda é uma emergência ortopédica onde a pressão dentro de um compartimento muscular fechado excede a pressão de perfusão capilar. Isso resulta em isquemia muscular e nervosa. Pode ocorrer após fraturas (especialmente tíbia e antebraço), lesões por esmagamento, queimaduras ou mesmo após exercícios extenuantes. O reconhecimento precoce é vital, pois o dano nervoso pode se tornar irreversível em 6 a 12 horas. O sintoma mais sensível é a dor desproporcional à lesão aparente, que piora com o alongamento passivo dos músculos do compartimento envolvido. O tratamento não deve ser retardado por exames de imagem se a suspeita clínica for alta.
Os 6 Ps referem-se a Pain (dor desproporcional), Paresthesia (parestesia), Pallor (palidez), Paralysis (paralisia), Pulselessness (ausência de pulso) e Poikilothermia (poiquilotermia). É fundamental notar que a dor ao estiramento passivo e a parestesia são sinais precoces, enquanto a ausência de pulso e a paralisia são sinais tardios de isquemia avançada e necrose tecidual. O diagnóstico precoce depende da vigilância clínica constante, especialmente em traumas de membros.
Embora o diagnóstico seja primariamente clínico, a medida da pressão intracompartimental pode auxiliar em casos duvidosos ou pacientes inconscientes. Valores absolutos acima de 30-40 mmHg ou uma pressão diferencial (pressão arterial diastólica menos a pressão compartimental) inferior a 30 mmHg sugerem fortemente a necessidade de intervenção cirúrgica. A pressão diferencial, também chamada de delta P, é considerada um indicador mais confiável da perfusão tecidual do que a pressão absoluta isolada.
O tratamento definitivo é a fasciotomia descompressiva de urgência. O objetivo é abrir todos os compartimentos afetados para aliviar a pressão e restaurar a perfusão tecidual. Medidas iniciais incluem a remoção de gessos ou enfaixamentos apertados e manter o membro ao nível do coração (não elevar excessivamente para não reduzir a perfusão arterial). O atraso na descompressão pode levar a contraturas isquêmicas de Volkmann, infecção e necessidade de amputação.
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