Síndrome Compartimental Aguda: Diagnóstico e Manejo Urgente

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020

Enunciado

Nas primeiras 6 horas de pós-operatório de embolectomia de artéria ilíaca esquerda, foi verificado aumento de consistência e dor importante no compartimento anterior da perna esquerda e presença de urina avermelhada. Podemos dizer que:

Alternativas

  1. A) a heparinização foi feita de maneira inadequada e provavelmente o sangue do doente está incoagulável, havendo formação de hematomas generalizados, inclusive no plano subaponeurótico.
  2. B) a fasciotomia deve ser realizada imediatamente e provavelmente está ocorrendo a síndrome metabólica mionefropática.
  3. C) devemos aguardar a mensuração da pressão intracompartimental para realizar a fasciotomia e provavelmente houve uma lesão na passagem da sonda uretral, responsável pela hematúria.
  4. D) a fasciotomia deve ser realizada imediatamente e devemos instalar uma sonda de três vias para lavagem da bexiga evitando a formação de hematomas intravesicais.
  5. E) houve lesão arterial feita pela passagem do cateter de Fogarty e está se formando um grande hematoma no compartimento anterior, não havendo necessidade de fasciotomia de urgência.

Pérola Clínica

Dor intensa + aumento de consistência pós-reperfusão → Síndrome Compartimental = Fasciotomia urgente + investigar rabdomiólise.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor intensa, aumento de consistência e urina avermelhada após embolectomia e reperfusão de membro sugere síndrome compartimental aguda e rabdomiólise. A fasciotomia é a conduta imediata para aliviar a pressão e prevenir danos irreversíveis, enquanto a urina avermelhada indica mioglobinúria, característica da síndrome mionefropática.

Contexto Educacional

A síndrome compartimental aguda é uma emergência cirúrgica que ocorre quando a pressão dentro de um compartimento muscular fechado aumenta a ponto de comprometer a perfusão tecidual. É uma complicação comum após traumas, fraturas, queimaduras e, como no caso, após a reperfusão de um membro isquêmico (síndrome de isquemia-reperfusão). A rabdomiólise, com a liberação de mioglobina, pode levar à síndrome mionefropática e insuficiência renal aguda. O diagnóstico é clínico, baseado na dor intensa e nos achados do exame físico, e o tratamento é a fasciotomia de urgência. Residentes devem ter alta suspeição para evitar sequelas graves e permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da síndrome compartimental aguda?

Os sinais clássicos incluem dor desproporcional à lesão (o mais precoce e confiável), dor à extensão passiva dos dedos, parestesias, palidez e pulsos diminuídos ou ausentes (sinais tardios). O aumento da consistência do compartimento afetado é um achado importante no exame físico.

Por que a fasciotomia é a conduta imediata na síndrome compartimental?

A fasciotomia é realizada para descompressão urgente dos compartimentos musculares. O aumento da pressão intracompartimental compromete a perfusão tecidual, levando à isquemia, necrose muscular e nervosa. A fasciotomia alivia essa pressão, restaurando o fluxo sanguíneo e prevenindo danos irreversíveis.

O que é a síndrome metabólica mionefropática e como ela se relaciona com a síndrome compartimental?

A síndrome metabólica mionefropática é uma complicação da rabdomiólise, que é a destruição das células musculares. Na síndrome compartimental, a isquemia e reperfusão do músculo levam à rabdomiólise, liberando mioglobina e outras substâncias tóxicas na corrente sanguínea. A mioglobina pode causar lesão renal aguda (nefropatia por mioglobina), manifestada por urina avermelhada.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo