Síndrome Compartimental Aguda: Diagnóstico e Manejo Pós-Reperfusão

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2019

Enunciado

Paciente masculino, de 44 anos, sofre acidente por arma de fogo com ferimento na coxa esquerda. Houve lesão da artéria femoral superficial. Realizado reparo com interposição de veia safena dentro de 4h do acidente. Após o procedimento, os pulsos distais estavam bons e não haviam deficit neurológicos. Cinco horas depois, o paciente apresenta dor na perna esquerda, distalmente à lesão. A flexão e a extensão passiva da musculatura da panturrilha pioram a dor. Há parestesia do pé esquerdo. Os pulsos estão palpáveis, embora diminuídos. Qual a conduta adequada para o tratamento?

Alternativas

  1. A) Levar o paciente ao centro cirúrgico e revisar o enxerto da veia safena.
  2. B) Arteriografia.
  3. C) Anticoagulação com heparina.
  4. D) Fasciotomia.
  5. E) Amputação infrapatelar.

Pérola Clínica

Dor desproporcional, parestesia, dor à extensão passiva após reparo vascular → suspeitar síndrome compartimental → fasciotomia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor intensa, parestesia e dor à extensão passiva da musculatura da panturrilha, após reparo vascular e isquemia-reperfusão, é altamente sugestivo de síndrome compartimental aguda. A fasciotomia é a conduta de emergência para aliviar a pressão e prevenir danos irreversíveis.

Contexto Educacional

A síndrome compartimental aguda é uma condição grave que ocorre quando a pressão dentro de um compartimento muscular fechado aumenta a ponto de comprometer a perfusão tecidual. É frequentemente associada a traumas, fraturas, lesões por esmagamento e, como neste caso, a lesões vasculares com isquemia-reperfusão, onde o edema pós-revascularização contribui para o aumento da pressão. O diagnóstico precoce é crucial para evitar sequelas permanentes. Os sintomas incluem dor intensa e desproporcional à lesão, que piora com o alongamento passivo dos músculos do compartimento afetado, parestesia (indicando comprometimento nervoso), e, em estágios mais avançados, palidez e paralisia. Pulsos distais podem estar presentes, pois a pressão arterial sistêmica geralmente é maior que a pressão intracompartimental, tornando a ausência de pulso um sinal tardio e não confiável. A medição direta da pressão intracompartimental pode confirmar o diagnóstico. O tratamento definitivo é a fasciotomia de emergência, um procedimento cirúrgico que consiste na abertura das fáscias musculares para descompressão dos compartimentos. A demora no tratamento pode resultar em necrose muscular e nervosa irreversível, levando a contraturas permanentes e perda funcional do membro. A vigilância clínica rigorosa é fundamental em pacientes de risco, especialmente após revascularização de membros isquêmicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da síndrome compartimental?

Os sinais clássicos incluem dor desproporcional à lesão, dor à extensão passiva dos músculos do compartimento afetado, parestesia, palidez e paralisia (os '5 Ps'), sendo a dor o sintoma mais precoce e confiável.

Por que a fasciotomia é a conduta adequada neste caso?

A fasciotomia é necessária para aliviar a pressão dentro dos compartimentos musculares, que se eleva devido ao edema pós-isquemia-reperfusão, prevenindo danos irreversíveis a músculos e nervos causados pela compressão e restaurando a perfusão.

Quais são as complicações da síndrome compartimental não tratada?

A síndrome compartimental não tratada pode levar à necrose muscular e nervosa, contratura de Volkmann, perda funcional permanente do membro e, em casos graves, pode exigir amputação.

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