SGCH - Santa Genoveva Complexo Hospitalar (MG) — Prova 2015
Após ser realizada embolectomia de artéria ilíaca esquerda, nas primeiras horas de pós-operatório, o doente refere muita dor no membro inferior esquerdo. No exame físico, se verificou que a perna esquerda apresentava dor importante no compartimento anterior da perna assim como aumento de consistência. Ao mesmo tempo se observou urina avermelhada. Frente a este quadro, podemos dizer que:
Dor intensa + aumento consistência pós-revascularização + urina avermelhada → Síndrome compartimental + Rabdomiólise = Fasciotomia urgente.
A dor intensa e o aumento da consistência no membro após revascularização (embolectomia) são sinais clássicos de síndrome compartimental aguda. A urina avermelhada sugere rabdomiólise, uma complicação da isquemia-reperfusão, que pode levar à síndrome metabólica mionefropática e insuficiência renal aguda, exigindo fasciotomia imediata.
A síndrome compartimental aguda é uma emergência cirúrgica que ocorre quando a pressão dentro de um compartimento fascial fechado aumenta a ponto de comprometer a perfusão tecidual, levando à isquemia e necrose muscular e nervosa. É uma complicação bem conhecida após eventos de isquemia-reperfusão, como a embolectomia de artérias periféricas, onde a restauração do fluxo sanguíneo para um membro isquêmico pode causar edema e aumento da pressão intracompartimental. Os sinais clássicos incluem dor intensa e desproporcional à lesão, dor à extensão passiva dos dedos, parestesias e aumento da consistência do compartimento afetado. A presença de urina avermelhada (mioglobinúria) é um forte indicativo de rabdomiólise, a destruição de fibras musculares que libera mioglobina na corrente sanguínea. A mioglobina é nefrotóxica e pode levar à insuficiência renal aguda, um componente da chamada síndrome metabólica mionefropática. O tratamento da síndrome compartimental é a fasciotomia de urgência, que consiste na abertura cirúrgica da fáscia para aliviar a pressão. Atrasos no diagnóstico e tratamento podem resultar em sequelas permanentes, como contraturas isquêmicas, e complicações sistêmicas graves. Para residentes, o reconhecimento rápido dos sinais clínicos e a tomada de decisão imediata para a fasciotomia são cruciais para preservar a função do membro e evitar complicações fatais.
Os sinais e sintomas incluem dor intensa desproporcional ao exame físico, dor à extensão passiva dos dedos, parestesia, palidez, paralisia e ausência de pulsos (sinais tardios). O aumento da consistência do compartimento afetado é um achado importante.
A urina avermelhada, ou mioglobinúria, indica rabdomiólise, que é a destruição de células musculares liberando mioglobina. Isso ocorre após um período de isquemia e reperfusão, e a mioglobina pode causar lesão renal aguda, caracterizando a síndrome metabólica mionefropática.
A fasciotomia é indicada de urgência quando há sinais clínicos claros de síndrome compartimental, como dor intensa, aumento da consistência do compartimento e dor à extensão passiva, especialmente após um evento isquêmico-reperfusão. A medição da pressão intracompartimental pode ser auxiliar, mas não deve atrasar a cirurgia em casos evidentes.
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