USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Mulher de 54 anos com queixa de frialdade, cianose não fixa, parestesia e dor súbita em pé e perna direita há 8 horas. Possui de antecedentes uma prótese valvular aórtica mecânica com controle irregular da anticoagulação com Varfarina. Foi submetida a embolectomia de emergência para revascularização de membro inferior direito, bem-sucedida. Uma hora após do procedimento, já na recuperação, apresentou recrudescimento da dor no membro, edema de panturrilha e perda de pulsos que haviam sidos restabelecidos com a cirurgia. Qual o provável diagnóstico?
Pós-revascularização + dor intensa/edema/perda pulsos = Síndrome Compartimental Aguda.
A síndrome compartimental aguda é uma complicação grave da reperfusão após isquemia prolongada. O edema tecidual dentro de um compartimento fascial fechado aumenta a pressão, comprometendo a perfusão e levando à isquemia secundária, mesmo após a revascularização inicial.
A Síndrome Compartimental Aguda é uma emergência cirúrgica que pode ocorrer como complicação da isquemia-reperfusão, especialmente após a revascularização de um membro que sofreu oclusão arterial aguda prolongada. Após o restabelecimento do fluxo sanguíneo, o edema tecidual resultante da lesão isquêmica e da resposta inflamatória pode levar a um aumento da pressão dentro de um compartimento fascial fechado e inextensível. Essa pressão elevada compromete a perfusão capilar, resultando em isquemia secundária dos músculos e nervos contidos no compartimento, mesmo com pulsos proximais restabelecidos. O quadro clínico é caracterizado por dor intensa e desproporcional, que não melhora com analgésicos, associada a edema progressivo do membro, parestesias e, em estágios avançados, fraqueza muscular e perda de pulsos distais. A palpação do compartimento afetado revela tensão e dor exacerbada. A suspeita clínica é fundamental, e a medição da pressão intracompartimental pode confirmar o diagnóstico. O tratamento da síndrome compartimental aguda é a fasciotomia de emergência. Este procedimento cirúrgico consiste na abertura da fáscia que envolve o compartimento, aliviando a pressão e restaurando a perfusão tecidual. A demora no diagnóstico e tratamento pode levar a danos irreversíveis aos músculos e nervos, resultando em sequelas graves como contraturas isquêmicas e perda funcional do membro. Para residentes, o reconhecimento precoce e a indicação imediata da fasciotomia são cruciais.
Os '5 Ps' são dor desproporcional à lesão (pain), parestesia, palidez, paralisia e ausência de pulso (pulselessness), sendo a dor o sintoma mais precoce e proeminente.
A isquemia prolongada seguida de reperfusão pode causar edema tecidual significativo. Se esse edema ocorrer dentro de um compartimento fascial inextensível, a pressão aumenta, levando à síndrome compartimental.
O tratamento é a fasciotomia de emergência, um procedimento cirúrgico que alivia a pressão dentro do compartimento, prevenindo danos irreversíveis aos músculos e nervos.
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