UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2023
Um homem de 32 anos ficou com sua perna direita presa em baixo do seu carro, que está capotado, por aproximadamente 2 horas antes de ser retirado do local. Na chegada ao departamento de emergência, seu membro inferior direito está frio, mosqueado, com diminuição da sensibilidade e mobilidade. Apesar de os SSVV estarem normais, o pulso não é palpável abaixo da artéria femoral direita e os músculos da extremidade estão tensos e rígidos. Durante o manejo deste paciente, qual das afirmações abaixo são mais adequadas para promover chances de salvar o membro?
Lesão por esmagamento prolongada → Isquemia tecidual + edema → Síndrome compartimental → Fasciotomia urgente para salvamento do membro.
A lesão por esmagamento prolongada causa isquemia tecidual, edema e aumento da pressão intracompartimental, levando à síndrome compartimental. A fasciotomia é crucial para descompressão e salvamento do membro, prevenindo necrose e complicações sistêmicas como a rabdomiólise.
A síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica que ocorre quando a pressão dentro de um compartimento muscular aumenta a ponto de comprometer a perfusão tecidual. É frequentemente associada a traumas de alta energia, como lesões por esmagamento, fraturas e queimaduras. Sua rápida identificação e tratamento são cruciais para evitar sequelas graves e a perda do membro. A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso de isquemia-reperfusão, edema e aumento da pressão intracompartimental. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos '6 Ps': pain (dor), pallor (palidez), paresthesia (parestesia), paralysis (paralisia), pulselessness (ausência de pulso) e poikilothermia (poiquilotermia). A dor desproporcional à lesão e a dor à extensão passiva são sinais precoces e altamente sugestivos. A medição da pressão intracompartimental pode confirmar o diagnóstico, mas não deve atrasar a intervenção. O tratamento definitivo é a fasciotomia de urgência, um procedimento cirúrgico que alivia a pressão nos compartimentos musculares. O prognóstico está diretamente relacionado ao tempo entre o diagnóstico e a descompressão. Complicações como rabdomiólise e insuficiência renal aguda devem ser monitoradas e tratadas agressivamente. A educação contínua sobre a síndrome compartimental é vital para residentes em cirurgia, ortopedia e emergência.
Os sinais clássicos incluem dor desproporcional à lesão, parestesia, palidez, pulso diminuído ou ausente, paralisia e tensão muscular. A dor à extensão passiva do membro é um sinal precoce e importante.
A fasciotomia descompensa os compartimentos musculares, aliviando a pressão sobre nervos e vasos sanguíneos. Isso restaura o fluxo sanguíneo, previne a necrose tecidual e a perda do membro, sendo uma intervenção tempo-dependente.
As complicações incluem necrose muscular extensa, perda do membro (amputação), insuficiência renal aguda secundária à rabdomiólise, infecção grave e contraturas isquêmicas permanentes que resultam em disfunção funcional.
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