Síndrome Compartimental Abdominal: Diagnóstico e Manejo

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente após uma laparotomia para uma víscera perfurada para desenvolve distensão abdominal, aumento da pressão de pico das vias aéreas e oligúria. O próximo passo apropriado é:

Alternativas

  1. A) Reabrir uma incisão de laparotomia.
  2. B) Passagem de Sonda Nasogástrica para descompressão.
  3. C) Instituir pressão expiratória final positiva (PEEP) por ventilação Não-invasiva.
  4. D) Passagem de Tubo retal.
  5. E) Alternativas c e d.

Pérola Clínica

Distensão abdominal + ↑ pressão vias aéreas + oligúria pós-laparotomia = suspeitar de síndrome compartimental abdominal → laparotomia descompressiva.

Resumo-Chave

O quadro de distensão abdominal, aumento da pressão de pico das vias aéreas e oligúria após laparotomia para víscera perfurada é altamente sugestivo de Síndrome Compartimental Abdominal (SCA). A SCA é uma emergência cirúrgica que exige descompressão imediata, sendo a reabertura da incisão de laparotomia (laparostomia) o tratamento definitivo.

Contexto Educacional

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave e potencialmente fatal caracterizada por disfunção orgânica progressiva devido ao aumento sustentado da pressão intra-abdominal (PIA) acima de 20 mmHg, com ou sem pressão de perfusão abdominal (PPA = PAM - PIA) inferior a 60 mmHg. É uma complicação comum em pacientes críticos, especialmente após grandes cirurgias abdominais, trauma, sepse ou pancreatite grave. Sua importância reside na necessidade de reconhecimento e tratamento urgentes para evitar a falência de múltiplos órgãos e a morte. A fisiopatologia da SCA envolve o aumento da PIA que compromete a perfusão de órgãos abdominais (intestino, rins, fígado), reduz o retorno venoso cardíaco, eleva a pressão intratorácica (comprometendo a ventilação e oxigenação) e aumenta a pressão intracraniana. Clinicamente, manifesta-se por distensão abdominal progressiva, oligúria (devido à compressão renal e redução do débito cardíaco), aumento da pressão de pico das vias aéreas (devido à elevação do diafragma), hipotensão e acidose metabólica. A monitorização da PIA, geralmente por cateter vesical, é crucial para o diagnóstico. O tratamento da SCA é primariamente a descompressão abdominal. Em casos de SCA estabelecida, a laparotomia descompressiva (reabertura da incisão cirúrgica ou criação de uma nova incisão) é a medida mais eficaz e urgente para reduzir a PIA e restaurar a perfusão orgânica. Medidas conservadoras, como passagem de sonda nasogástrica ou retal, são paliativas e insuficientes para SCA grave. Após a descompressão, o abdome é geralmente deixado aberto (laparostomia) e coberto temporariamente, com fechamento definitivo em um segundo momento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da Síndrome Compartimental Abdominal?

Os sinais incluem distensão abdominal progressiva, aumento da pressão intra-abdominal (medida por cateter vesical), oligúria/anúria, aumento da pressão de pico das vias aéreas, hipoxemia, hipotensão e acidose metabólica.

Por que a Síndrome Compartimental Abdominal causa oligúria e aumento da pressão das vias aéreas?

A pressão intra-abdominal elevada comprime a veia cava inferior e as veias renais, diminuindo o retorno venoso e o débito cardíaco, resultando em oligúria. A pressão diafragmática aumentada restringe a expansão pulmonar, elevando a pressão de pico das vias aéreas.

Qual a principal complicação da Síndrome Compartimental Abdominal não tratada?

A principal complicação é a falência de múltiplos órgãos (renal, respiratória, cardiovascular) devido à isquemia e disfunção causadas pela pressão elevada, podendo levar ao óbito.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo