Síndrome Compartimental Abdominal: Fisiopatologia e Efeitos

HCAL - Hospital da Criança de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

São alterações esperadas no paciente com síndrome compartimental abdominal com pressão intra-abdominal de 35 mmHg:

Alternativas

  1. A) oligúria, débito cardíaco reduzido, redução do retorno venoso. 
  2. B) oligúria, débito cardíaco aumentado, aumento do retorno venoso. 
  3. C) poliúria, débito cardíaco reduzido, aumento do retorno venoso. 
  4. D) poliúria, débito cardíaco aumentado, redução do retorno venoso. 

Pérola Clínica

SCA (PIA > 20 mmHg): ↑ PIA → ↓ Retorno Venoso, ↓ Débito Cardíaco, ↓ Perfusão Renal (oligúria).

Resumo-Chave

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave causada pelo aumento sustentado da pressão intra-abdominal (PIA > 20 mmHg), que leva a disfunção orgânica. Uma PIA de 35 mmHg indica SCA grave, resultando em compressão da veia cava inferior (reduzindo o retorno venoso e o débito cardíaco) e compressão renal (causando oligúria e insuficiência renal aguda).

Contexto Educacional

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave e potencialmente fatal caracterizada por um aumento sustentado da pressão intra-abdominal (PIA) acima de 20 mmHg, associado a disfunção ou falência de órgãos. É uma complicação comum em pacientes críticos, especialmente aqueles com trauma abdominal grave, sepse, grandes queimaduras, pancreatite aguda grave ou após cirurgias abdominais extensas. A incidência varia, mas pode atingir até 30% em unidades de terapia intensiva. A fisiopatologia da SCA envolve a compressão de órgãos e vasos dentro da cavidade abdominal devido ao aumento da PIA. No sistema cardiovascular, a compressão da veia cava inferior reduz o retorno venoso ao coração, diminuindo o pré-carga e, consequentemente, o débito cardíaco. No sistema renal, a compressão direta dos rins e dos vasos renais, juntamente com a hipoperfusão sistêmica, leva à diminuição da filtração glomerular, resultando em oligúria e insuficiência renal aguda. Outros sistemas também são afetados, como o respiratório (elevação do diafragma, diminuição da complacência pulmonar) e o neurológico (aumento da pressão intracraniana). O diagnóstico precoce e o manejo agressivo são cruciais. O tratamento inicial inclui medidas para reduzir a PIA (sedação, descompressão gástrica, otimização volêmica) e, se estas falharem, a descompressão cirúrgica (laparostomia) é indicada. A monitorização contínua da PIA é essencial em pacientes de risco. O prognóstico da SCA é reservado, com altas taxas de morbidade e mortalidade, enfatizando a importância da prevenção e do tratamento oportuno.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome Compartimental Abdominal (SCA)?

A Síndrome Compartimental Abdominal é diagnosticada pela presença de uma Pressão Intra-Abdominal (PIA) persistentemente elevada (geralmente > 20 mmHg) associada a nova disfunção ou falência de órgãos. A PIA é medida de forma indireta, mais comumente através da bexiga.

Como a SCA afeta o sistema cardiovascular?

A SCA afeta o sistema cardiovascular principalmente pela compressão da veia cava inferior, o que diminui o retorno venoso para o coração. Isso resulta em redução do pré-carga, do débito cardíaco e da pressão arterial, podendo levar a choque e hipoperfusão tecidual.

Por que a oligúria é uma alteração esperada na SCA?

A oligúria na SCA ocorre devido a múltiplos fatores: compressão direta dos rins e vasos renais, redução da perfusão renal secundária à diminuição do débito cardíaco, e aumento da resistência vascular renal. Todos esses fatores levam a uma diminuição da filtração glomerular e, consequentemente, à redução da produção de urina.

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