Síndrome Compartimental Abdominal: Diagnóstico e Pressão

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Em relação à síndrome compartimental abdominal (SCA) e à pressão intra-abdominal (PIA), assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A real incidência é imprecisa, mas a origem dos pacientes admitidos em UTI com SCA é de trauma (28%), procedimentos de urgência (16%) e operações eletivas (9%).
  2. B) A padronização para a medida da PIA pela bexiga urinária inclui paciente na posição ortostática, pressão zero a nível da linha axilar média e medida expressa em mmHg.
  3. C) A PIA sofre influência da obesidade, momento respiratório (ins ou expiração) e em pacientes curarizados tem seu valor igual ao da pressão de perfusão abdominal.
  4. D) NA SCA, há redução do fluxo esplâncnico, do pH da mucosa gástrica e da concentração de CO₂ da mucosa, com aumento da permeabilidade vascular da mucosa.
  5. E) De acordo com a medida da PIA, a SCA é classificada em graus A, B e C ou leve, moderado e grave, sendo a PIA de 20 mmHg considerada grave.

Pérola Clínica

PIA > 20 mmHg + Disfunção orgânica nova = Síndrome Compartimental Abdominal.

Resumo-Chave

A pressão intra-abdominal (PIA) é um parâmetro dinâmico influenciado pela complacência da parede abdominal e posição do paciente, sendo a Pressão de Perfusão Abdominal (PAM - PIA) o melhor preditor de fluxo visceral.

Contexto Educacional

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é definida pela World Society of the Abdominal Compartment (WSACS) como uma pressão intra-abdominal sustentada > 20 mmHg associada a uma nova disfunção orgânica. A monitorização da PIA deve ser considerada em todos os pacientes críticos com fatores de risco, como grandes reposições volêmicas (> 3,5L em 24h), trauma abdominal, pancreatite grave ou sepse. A técnica padrão-ouro para medida indireta é via transdutor de pressão conectado a um cateter vesical (Técnica de Kron modificada). O paciente deve estar em decúbito dorsal, o transdutor zerado na linha axilar média e instilado um volume máximo de 25 ml de soro fisiológico na bexiga. A classificação da Hipertensão Intra-abdominal (HIA) varia do Grau I (12-15 mmHg) ao Grau IV (> 25 mmHg). O tratamento envolve medidas descompressivas clínicas (sondagem nasogástrica, procinéticos, drenagem de coleções, sedação/bloqueio neuromuscular) e, em casos refratários ou SCA confirmada, a descompressão cirúrgica (laparostomia).

Perguntas Frequentes

Como a obesidade e a respiração afetam a medida da PIA?

A pressão intra-abdominal (PIA) não é um valor estático; ela sofre influência direta da complacência da parede abdominal e das pressões intratorácicas. Em pacientes obesos, o excesso de tecido adiposo e a redução da complacência da parede elevam os valores basais da PIA, muitas vezes situando-os entre 9-14 mmHg cronicamente. Durante o ciclo respiratório, a contração do diafragma na inspiração aumenta a PIA, enquanto a expiração a reduz. Por isso, a padronização da medida exige que o valor seja registrado ao final da expiração, com o paciente em posição supina completa (0 graus), para minimizar artefatos de pressão externa e garantir a reprodutibilidade do exame.

Qual a importância da Pressão de Perfusão Abdominal (PPA)?

A Pressão de Perfusão Abdominal (PPA) é calculada pela fórmula: PPA = Pressão Arterial Média (PAM) - Pressão Intra-abdominal (PIA). De forma análoga à Pressão de Perfusão Cerebral, a PPA representa o gradiente real de pressão que impulsiona o fluxo sanguíneo para as vísceras abdominais. Estudos sugerem que manter uma PPA acima de 60 mmHg está associado a melhores desfechos e menor mortalidade em pacientes com Hipertensão Intra-abdominal. Em pacientes curarizados (sob bloqueio neuromuscular), a complacência da parede abdominal é máxima, e a PIA medida reflete mais fielmente a pressão exercida pelo conteúdo visceral, tornando a PPA um parâmetro hemodinâmico fundamental para guiar a ressuscitação volêmica e o uso de vasopressores.

Quais as repercussões sistêmicas da Síndrome Compartimental Abdominal?

A SCA causa disfunções multiorgânicas graves. No sistema cardiovascular, ocorre redução do retorno venoso por compressão da veia cava inferior e aumento da pós-carga do ventrículo direito devido à pressão intratorácica transmitida, resultando em queda do débito cardíaco. Nos rins, a compressão direta do parênquima e das veias renais reduz a taxa de filtração glomerular, levando à oligúria e insuficiência renal aguda. No sistema gastrointestinal, a redução do fluxo esplâncnico causa isquemia da mucosa, translocação bacteriana e acidose intramucosa. Respiratoriamente, a elevação do diafragma reduz a complacência pulmonar, aumenta o espaço morto e gera hipoxemia e hipercapnia, dificultando a ventilação mecânica.

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