Síndrome Compartimental Abdominal: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 51 anos, do sexo feminino, está internada devido ao quadro de pancreatite aguda biliar grave, em regime de terapia intensiva, apresentando distensão abdominal importante, oligúria e piora nos parâmetros hemodinâmicos. Optou-se por aferição da pressão intra-abdominal, com resultado de 26 mmHg. Assinale a alternativa completamente adequada:

Alternativas

  1. A) A medida da PIA deve ser realizada no final da inspiração.
  2. B) A mensuração deve ser realizada 10 minutos após a instilação de no máximo 100 mL de solução salina na bexiga, para permitir o relaxamento do músculo detrusor.
  3. C) Provavelmente está ocorrendo diminuição da pressão intracraniana desta paciente.
  4. D) No contexto apresentado, se mantido o quadro após medidas conservadoras, torna-se indicada a laparotomia descompressiva.

Pérola Clínica

PIA > 20-25 mmHg com disfunção orgânica (oligúria, piora hemodinâmica) = Síndrome Compartimental Abdominal → Laparotomia descompressiva.

Resumo-Chave

A pressão intra-abdominal (PIA) de 26 mmHg, associada a distensão abdominal, oligúria e piora hemodinâmica em um paciente crítico, configura Síndrome Compartimental Abdominal (SCA). Após falha das medidas conservadoras, a laparotomia descompressiva é a intervenção salvadora para reverter a disfunção orgânica.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda grave é uma condição que pode levar a complicações sistêmicas sérias, incluindo a Hipertensão Intra-Abdominal (HIA) e a Síndrome Compartimental Abdominal (SCA). A HIA é definida como uma Pressão Intra-Abdominal (PIA) sustentada maior ou igual a 12 mmHg, enquanto a SCA é a HIA associada a nova disfunção ou falência orgânica. A PIA de 26 mmHg no caso apresentado é um valor crítico, indicando SCA, especialmente com a presença de oligúria e piora hemodinâmica. A monitorização da PIA é crucial em pacientes críticos com risco de HIA/SCA, como aqueles com pancreatite grave, sepse abdominal ou grandes volumes de ressuscitação. A medida deve ser padronizada, geralmente através da bexiga, com 25 mL de solução salina e aferição no final da expiração. A elevação da PIA compromete a perfusão de órgãos abdominais, renais e até mesmo a função pulmonar e cardíaca, além de poder aumentar a pressão intracraniana. O manejo da SCA envolve inicialmente medidas conservadoras para tentar reduzir a PIA, como otimização volêmica, sedação, relaxamento muscular e descompressão do trato gastrointestinal. No entanto, se a PIA se mantém elevada (>20-25 mmHg) e a disfunção orgânica persiste ou piora, a laparotomia descompressiva torna-se uma intervenção salvadora. Este procedimento visa aliviar a pressão intra-abdominal, restaurar a perfusão orgânica e reverter a falência dos sistemas, sendo uma decisão crítica na UTI.

Perguntas Frequentes

Como é medida a pressão intra-abdominal (PIA)?

A PIA é tipicamente medida de forma indireta através da bexiga, instilando 25 mL de solução salina e conectando um transdutor de pressão a uma sonda vesical, com o paciente em decúbito dorsal e a medida realizada no final da expiração.

Quais são os critérios para diagnosticar Síndrome Compartimental Abdominal (SCA)?

A SCA é diagnosticada pela presença de hipertensão intra-abdominal (PIA > 20-25 mmHg) associada a nova disfunção ou falência orgânica (renal, respiratória, cardiovascular) que não pode ser atribuída a outras causas.

Quais medidas conservadoras podem ser tentadas para reduzir a PIA?

Medidas conservadoras incluem otimização da volemia, sedação e relaxamento muscular, descompressão gástrica e intestinal, remoção de coleções intra-abdominais (se possível) e posicionamento do paciente (cabeceira elevada).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo