Síndrome Compartimental Abdominal: Fisiopatologia e Diagnóstico

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2025

Enunciado

Considerando a fisiopatologia da Síndrome Compartimental Abdominal (SCA), qual das seguintes afirmações melhor representa a relação entre a Pressão Intra- Abdominal (PIA) e as manifestações clínicas associadas?

Alternativas

  1. A) A SCA é diagnosticada quando a PIA é de 20 mmHg ou superior, com ou sem Pressão de Perfusão Abdominal (PPA) menor que 50 mmHg, e está associada à falha de um ou mais sistemas orgânicos.
  2. B) A elevação da PIA para 25 mmHg resulta em aumento da pressão venosa central e melhora do retorno venoso e do débito cardíaco.
  3. C) Uma PIA maior que 35 mmHg frequentemente resulta em aumento da perfusão renal e função renal melhorada.
  4. D) Hipertensão Intracraniana (HIC) é uma manifestação clínica comum da SCA, mesmo com PIA mantida abaixo de 15 mmHg.
  5. E) Oligúria é uma manifestação tardia da SCA e ocorre apenas quando a PIA excede 30 mmHg.

Pérola Clínica

SCA = PIA ≥ 20 mmHg (com ou sem PPA < 50 mmHg) + falha de órgão. A elevação da PIA compromete múltiplos sistemas.

Resumo-Chave

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave onde a elevação da Pressão Intra-Abdominal (PIA) compromete a perfusão de órgãos e sistemas. O diagnóstico é estabelecido por uma PIA sustentada ≥ 20 mmHg, associada a disfunção ou falência de órgãos, com a Pressão de Perfusão Abdominal (PPA) sendo um indicador prognóstico importante.

Contexto Educacional

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição de risco de vida caracterizada por uma elevação sustentada da Pressão Intra-Abdominal (PIA) que resulta em disfunção ou falência de órgãos. A PIA normal é geralmente < 10 mmHg. A SCA é uma complicação grave que pode ocorrer em pacientes críticos com diversas etiologias, como trauma, sepse, grandes queimaduras, pancreatite grave e pós-operatório de cirurgias abdominais complexas. A fisiopatologia da SCA envolve o comprometimento da perfusão de múltiplos órgãos devido à compressão extrínseca causada pela PIA elevada. No sistema cardiovascular, a PIA elevada diminui o retorno venoso, o débito cardíaco e a pressão arterial. No sistema renal, a compressão direta dos rins e vasos renais leva à diminuição da filtração glomerular e oligúria. No sistema respiratório, a elevação do diafragma resulta em diminuição da complacência pulmonar e aumento da pressão intratorácica. Além disso, a PIA elevada pode aumentar a pressão intracraniana, comprometendo a perfusão cerebral. O diagnóstico da SCA é clínico e baseado na medição da PIA, geralmente por meio de uma sonda vesical. O tratamento visa reduzir a PIA, o que pode ser alcançado por medidas clínicas (sedação, relaxamento muscular, descompressão gástrica/intestinal) ou, em casos refratários, por descompressão cirúrgica (laparostomia). O reconhecimento precoce e a intervenção são cruciais para melhorar o prognóstico e prevenir a falência de múltiplos órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome Compartimental Abdominal (SCA)?

A SCA é diagnosticada quando a Pressão Intra-Abdominal (PIA) é de 20 mmHg ou superior, com ou sem uma Pressão de Perfusão Abdominal (PPA) menor que 50 mmHg, e está associada à falha de um ou mais sistemas orgânicos. É uma condição grave que exige intervenção imediata.

Como a elevação da PIA afeta o sistema cardiovascular?

A elevação da PIA aumenta a pressão venosa central e a pressão intratorácica, o que diminui o retorno venoso para o coração. Consequentemente, há uma redução do pré-carga e do débito cardíaco, levando a um estado de choque e hipoperfusão sistêmica.

Quais são as manifestações renais da SCA e quando elas ocorrem?

A elevação da PIA compromete a perfusão renal, resultando em oligúria e, eventualmente, insuficiência renal aguda. A oligúria é uma manifestação precoce da SCA e pode ocorrer mesmo com níveis de PIA abaixo de 30 mmHg, devido à compressão direta dos vasos renais e do parênquima.

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