HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020
Sobre a síndrome compartimental abdominal é CORRETO afirmar que
Cirurgia de controle de danos com empacotamento abdominal → fator de risco para Síndrome Compartimental Abdominal.
A cirurgia de controle de danos, especialmente com empacotamento abdominal, é um procedimento salvador em traumas graves, mas aumenta significativamente o risco de hipertensão intra-abdominal e síndrome compartimental, exigindo monitoramento rigoroso da pressão intra-abdominal.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave caracterizada por hipertensão intra-abdominal sustentada (>20 mmHg) associada a nova disfunção ou falência orgânica. É uma complicação potencialmente fatal em pacientes críticos, especialmente aqueles com trauma grave, sepse ou grandes volumes de ressuscitação volêmica. Sua incidência varia, mas é crucial reconhecer os fatores predisponentes para um manejo precoce. A fisiopatologia da SCA envolve o aumento da pressão dentro da cavidade abdominal, que comprime os órgãos e vasos adjacentes, levando à isquemia e disfunção. O diagnóstico é clínico, baseado na suspeita em pacientes de risco e na monitorização da pressão intra-abdominal (PIA), geralmente por meio da bexiga. Sinais de disfunção orgânica incluem oligúria, aumento da pressão de pico nas vias aéreas, hipotensão e acidose. O tratamento da SCA visa reduzir a PIA e reverter a disfunção orgânica. Medidas não cirúrgicas incluem otimização da volemia, sedação, relaxamento muscular e drenagem de coleções. No entanto, a descompressão cirúrgica, através de uma laparotomia descompressiva, é frequentemente necessária e é a medida definitiva para reduzir a PIA e melhorar a perfusão orgânica. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção.
Os principais fatores de risco incluem trauma abdominal grave, cirurgia de controle de danos com empacotamento, grandes volumes de ressuscitação volêmica, sepse, pancreatite grave e sangramento intra-abdominal.
A SCA causa disfunção orgânica múltipla devido à compressão. Leva a insuficiência respiratória (diafragma elevado), insuficiência renal (compressão renal e diminuição do fluxo), diminuição do retorno venoso e débito cardíaco, e isquemia intestinal.
A conduta inicial envolve otimização da volemia, sedação e relaxamento muscular. Se a pressão intra-abdominal persistir elevada e houver disfunção orgânica, a descompressão cirúrgica é a medida definitiva.
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